Saudação

Olá! Este é um espaço de escrita criativa com um toque de humor, e expressão da minha vontade de me aproximar do poder revelador das palavras. Testemunho do meu envolvimento com a palavra com arte, e um jeito de dar vida à cultura que armazeno. Esta página é acessível (no modelo básico) também por dispositivo móvel. Esteja à vontade.
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terça-feira, 16 de dezembro de 2008

O sapo e o escorpião

Por George W B Cavalcanti


Certo dia, de chuva torrencial, um sapo descansava às margens de um riacho protegido por uma grande folha. Então, escutou gritos de socorro rompendo o barulho da tempestade. Incomodado, nadou até àquele desesperado apelo.

Ao chegar, viu um escorpião num montículo de terra que se reduzia a cada momento. Já ia passado ao largo quando o peçonhento suplicou-lhe: - Piedade amigo sapo, por compaixão, me salve, pois estou prestes a morrer afogado!

De pronto o sapo respondeu: - Tu estás louco? Não vês que és um escorpião e é da tua natureza ferroar os outros, injetar teu veneno, fazer sofrer e até levar à morte!...

Desesperado gritou o escorpião: - Não amigo sapo! Se me salvas jamais faria uma coisa dessas!... Olha, se me levas a lugar seguro darei tudo o que quiseres...; vamos, deixa-me subir nas tuas costas; rápido! Insistiu.

Relutante mas comovido e um tanto acabrunhado o sapo concordou e, suportando o peso do perigo nadou para a terra firme. Mas, tão logo se viu a salvo o escorpião cravou-lhe o seu afiado e terrível ferrão!...

Então, entre dores e gemidos o sapo derramando-se em lamúrias balbuciou: - Mas escorpião, depois de tudo o que me disse e prometeu-me, como pudeste fazer tamanha barbaridade comigo?

Ao que respondeu o escorpião: - Amigo, que fazer... É como tu mesmo disseste: isto é da minha própria natureza!...

Moral da estória: Quando confiamos em alguém que, insistentemente, nos diz ser nosso amigo, nos arriscamos a colocar um escorpião sobre as nossas próprias costas!


União dos Palmares - AL, 06 de julho de 2008.

sábado, 13 de dezembro de 2008

A amizade e suas considerações

Por George W B Cavalcanti


Se quiseres ter um amigo caminhante contigo, ajuda-o a andar e, o terás... Porque se o retardares com diálogos estéreis o estará perdendo porque, o farás prisioneiro de teu próprio tempo. Amigo é como o vento; se o queres estende-lhe os teus braços, abre tuas mãos em ajuda e ele e será todo teu; porque se queres apenas retê-lo, sem te doares, ficarás sem nada.

Se quiseres ter o sol de uma amizade e gozar da sua luz maravilhosa, abre os teus olhos e a contemples em todo o seu calor humano, porque se os fechas pensando apenas em reter sua luz que absorveste, somente ficarás às escuras.

Se, buscas de verdade te abrir para uma amizade, antes te tornes igualmente consciente de ambas as existências, a tua e a dele; porque o desafio é contracenar – protagonista e coadjuvante – o enredo da mesma vida; mas, diferentemente de personagens de contos de fadas, comovendo-se igualmente com suas misérias e suas grandezas.

Permite-te e a ele o luxo de não serem perfeitos, de estarem cheios de defeitos, de terem debilidades, de equivocarem-se e fazer coisas indevidas e de nem sempre corresponderem às mútuas expectativas; mas, apesar disso, continuarem a preservarem a preciosa amizade. Lembra-te de quando te vires no espelho, vê a imagem de teu amigo, olhar bem dentro de seus olhos e sorrir pelo que ambos são hoje um para o outro; lembrar os caminhos percorridos por essa amizade e assumir os seus condicionamentos.

Sinta que devem saudar-se efusivamente um ao outro com carinho porque, dispensaram um mundo de ilusões e fantasias inúteis para compartilharem uma realidade que tanto a um quanto a outro interessa. Que é bom e salutar sentir esse desassossego que a ausência e o silêncio do outro provoca, quando vive o momento de sonhar os seus próprios sonhos. Priorize a compreensão de que é preciso valorizar o proveito porque, a vida é curta; o ofício de viver é tão difícil que, muitas vezes quando se está aprendendo a cultivar a amizade, algo, inesperadamente, desvanece-a.

Então, para que a amizade não tarde amadurecer, não a retardes com evasivas fúteis e inconsistências existenciais; cuida para que ela retorne para ti magnânima, por não a haveres tentado possuí-la ou retê-la. Se quiseres ter o mar de acolhida e amparo da amizade, abre as tuas mãos em suas águas e toda sua plenitude estará entre elas; porque se fechares as tuas mãos para ela, mesmo que tentando retê-la para si, acabarás por tê-las vazias.

Antes, coloca-te como uma flor que se abre com a face voltada para o céu, para que possas ser admirado, aspirado em todo o teu perfume, colhido pela mão amiga e integrar-se às suas expressões de amor, eternamente. Só assim, gozarás de uma amizade sabendo que a tens verdadeiramente porque, não a buscas para o teu usufruto e sim para servi-la, respeitando os seus ritmos e seguindo com ela de mãos dadas no seu luminoso caminho.


União dos Palmares - AL, 06 de julho de 2008.

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