Por George W. de B. Cavalcanti*
I
Difícil é;
O reinício,
Tão provável,
Forte penumbra,
Dessa nossa união,
Apenas a madrugada.
II
O afeto inato;
Que a vida junta,
Parecendo ao acaso,
Perecendo e esvaindo,
Enquanto geme a noite,
Gestante fiel e confiável.
III
O não perecer;
Que é dor apenas,
Mesmo o parecendo,
Vivê-lo continuamente,
A minha vida nessa vida,
Uma parábola tão tangente.
IV
Tudo transforma;
Até parece a revelia,
Que a todos emudece,
Quais lívidos náufragos,
Flutuantes saldos de vidas,
Agarrados a restos de alegria.
V
Voga a vida;
E vaga é a noção,
Do valor da emoção,
Tal qual há na piedade,
E, seu efeito, na caridade,
Emoldurada pela comoção.
VI
Amar é um sonho;
Que cobra e encobre,
Do pobre a sua tristeza,
A tanta fraqueza do nobre,
O valor desses meus versos,
O expandir de alguma certeza.
*(Guershon ben Levi, nome hebraico recebido em Tevilah conforme a tradição judaica).
