Saudação

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terça-feira, 14 de setembro de 2010

Vai de taxa


Por George W B Cavalcanti*


Veja que poética esta declaração:

Seja forte, minha companheira... para que possa ficar inabalada quando eu cair; para que eu possa saber que os estilhaçados fragmentos de minha canção tem em você melodia mais bela; para que eu possa dizer ao meu coração que você começa onde eu, ao morrer, acabo, e passa a compreender mais”.

O caro leitor já deve estar pensando que a citação acima seria uma antecipação ou um vazamento do rascunho do discurso, em primeiro de janeiro, do “cara” passando a faixa para a “coroa”.

Ledo engano. Trata-se da dedicatória do filósofo e escritor norte-americano Will Durant à sua mulher na segunda edição americana de seu livro História da Filosofia. Obra traduzida para uma dezena de idiomas, inclusive em português. E, editada no Brasil em 1996 pela Nova Cultural de São Paulo – SP.

Evidentemente que, não é e nem nunca será de autoria do sabido cidadão iletrado que ascendeu à governança máxima do nosso país. E, o fez graças principalmente à inépcia, quanto ao óbvio, dos mais letrados. Ao não atendimento ao óbvio uLULAnte imperativo econômico da distribuição de renda. Não o suficiente, do fortalecimento do mercado interno e geração de renda; exatamente nesta ordem.

Então, como explicar que, um cidadão que em oito anos de mandato presidencial nunca foi flagrado absorto na leitura de um livro ou operando um computador pessoal permaneça “o cara”? E, continue a ‘levar no bico e no gogó’ todo mundo, ao ponto de politico-eleitoralmente ‘dar de chapéu’ nos letrados emplumados; inclusive nos sociólogos de plantão?

Ocorre-me arriscar uma explicação, um tanto momesca, reconheço, mas, nada fantasiosa. No sentido de que esse surrealismo político todo acontece porque esta nação está, ainda, mais para sambódromo do que para república. Porque, as nossas agremiações partidárias evoluem nas avenidas da nossa democracia, deslumbradas, como a desfilar em um carnaval político.

Tanto isto é verdade que, o cortejador-mor de ditadores sanguinários e negadores do holocausto, “em nome dos negócios” – lembra Il Capo, capiche? -, parece inarredável das alegorias clientelistas e da popularidade. E, da massiva audiência às suas carnavalizações dos tais ovos de ouro: o etanol, o biodiesel e o pressal; todos ainda na cloaca da galinha.

O samba-enredo é, evidentemente, um ‘Samba do Povo Tolo’, repleto de toscas metáforas e cínicos sofismas. Destes, o que ora está “bombando” desde o barracão que instalaram no quarto andar do Palácio da Alvorada tem a, digamos, ‘rubrica mercadológica de 6%' e o nome de fantasia de “Taxa de Sucesso”. Caracas, esse pessoal sabe se reciclar. E, como sabe!

Entretantemente”, como diria o memorável Odorico Paraguassú. Essa tal "Taxa" não passaria de mais um “eufemismo trambiquista do bolcheviquismo caboclo profissionalista”. Ou seja, seria mesmo a velha extorsão, tão mafiosa quanto "revolucionária" e igualmente edionda. E, quem puxa esse samba? Ora, - e reza -, nós brasileiros!...


(*)Vide 'Visualizar meu perfil completo', na coluna da direita deste blog.

domingo, 25 de outubro de 2009

O Incidental Vicioso

Favela da Rocinha, Rio de Janeiro/RJ - Brasil


Por George W B Cavalcanti*


I
Futuro instável é o homem sem conhecimento,
Ao hipocritamente insistir em se chamar humano;
Mas, desmoraliza o animal em sua condição básica,
E, ridiculariza sonhos envoltos em rendas e brocados;
Porque os pecados todos são como base e não como face,
Na atrevida e crônica ignorância, de nós, humanos.

II
Alienada reincidência, teimosa, viciada e contumaz,
Tanto fez como tanto faz em seu pragmatismo amoral;
Se, com uma mão dá a parte, no todo em tudo se subtrai,
E, sua história idiota estreita, torta e sanguinária suporta;
Porque os pecados todos são como base e não como face,
Na atrevida e crônica ignorância, de nós, humanos.

III
Criativo no varejo e no atacado vai se tornando inviável,
Presunçoso que envergonha seu gênero em número e grau;
Se faz coletividade para se tornar feroz ou ainda mais mortal,
E, tudo é motivo para guerra em sua sanha de escravizar irmão;
Porque os pecados todos são como base e não como face,
Na atrevida e crônica ignorância, de nós, humanos.

IV
Espoliador do mais fraco em sua incontrolável compulsão,
Rapina e rapta, se reproduz e replica a Caim enquanto assalta;
Se, é lobo da estepe, friamente se coloca como um franco-atirador,
Sempre malícia, travestida de milícia a retesar arco e afundar barco;
Porque os pecados todos são como base e não como face,
Na atrevida e crônica ignorância, de nós, humanos.

V
Estreita faixa tem a ordem no primitivismo de seu congresso,
Fictício paleolítico progresso e real pitecantropo ereto retrocesso;
Enquanto cheira mal o delírio por 'gulag' caudilhista latino-americano,
Generosidade fictícia e a sempiterna degenerada utopia apodrecida;
Porque os pecados todos são como base e não como face,
Na atrevida e crônica ignorância, de nós, humanos.

VI
Insana é a teimosia em guardar a justiça em vasilhames,
Enquanto a injustiça cuida de revigorar moribundos horrores;
Glória banhada de sangue da maioria pobre ou minoria diferente,
Que apenas o homeopático talento não cura, entre promessas e juras;
Porque os pecados todos são como base e não como face,
Na atrevida e cônica ignorância, de nós, humanos.

VII
Regimes, crises e crimes, de repetição viraram mera indústria,
A riqueza feita com tráfico de escravos virou escrava do trafico;
Porem a cegueira da vaidade revela ser sempre o seu pior narcótico,
Bomba atômica líquida e incerta e, letal 'pedra no sapato' de gigantes;
Porque todos os pecados são como base e não como face,
Na atrevida e crônica ignorância, de nós, humanos.

VIII
A insensatez despudorada e crua, nua se exibe, brilha e fascina,
E, faz entrar sorrateira pelas frestas as pesadas névoas das trevas;
Que esconde a inflados egos que sempre se sobrepõem às doutrinas,
E, a corrupção endêmica a prostituir as democracias, em cada esquina;
Porque todos os pecados são como base e não como face,
Na atrevida e crônica ignorância, de nós, humanos.

IX
E, ancestral é a sentença à pesada a pena aplicada a ignorância,
Que por desconhecimento gasta a própria vida a repetir a história;
Recorrente amnésia que nos faz animais que abdicam da existência,
Do aroma do saber, do gosto do realizar e do prazer do eterno construir;
Porque todos os pecados são como base e não como face,
Na atrevida e crônica ignorância, de nós, humanos.

X
Civilizações e seus gemidos são sombras projetadas no interior das cavernas,
Senão falha a memória, são: Faraó, Inquisição, Cortez, holocausto e Búfalo Bill;
Mesopotâmia, Hitler, Hiroshima, Saddam, Pinochet, Calígula e, escravidão no Brasil,
E, rastro homérico de sangue de Stalin a Pol Pot e, do Ahmadinejad a ameaça já partiu;
Porque todos os pecados são como base e não como face,
Na atrevida e cônica ignorância, de nós, humanos.

XI
Apartheid e os tzares sufocaram o grito da Etiópia no quilombo dos palmares,
Maias, Incas e Astecas e, a ‘companheirada’ toda a viajar com 'dólares na cueca';
Floresta, madeireiro, motosserra e, o comendador da zona por celular sangra a mata,
Sem ética, moral ou peso na consciência e, a conversa mole e chula continua toda igual;
Porque todos os pecados são como base e não como face,
Na atrevida e crônica ignorância, de nós, humanos.

XII
Vai polícia morro acima e chumbo quente morro abaixo, no 'pressal' e no vinagre,
Mas, o ‘teflon’ cobre a panelas e políticos, bordunada na imprensa e filas do sacrifício;
Na pátria do bom selvagem informatizado, saudades do homem cordial de antigamente,
O paradigma na memória me faz teclar ‘enter’ e, que a história resgate o futuro dessa gente;
Porque todos os pecados são como base e não como face,
Na atrevida e crônica ignorância, de nós, humanos.


*
Guershon Ben Levi (nome hebraico recebido em Tevilah na CINA conforme a tradição)

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