Saudação

Olá! Este é um espaço de escrita criativa com um toque de humor, e expressão da minha vontade de me aproximar do poder revelador das palavras. Testemunho do meu envolvimento com a palavra com arte, e um jeito de dar vida à cultura que armazeno. Esta página é acessível (no modelo básico) também por dispositivo móvel. Esteja à vontade.
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sexta-feira, 6 de maio de 2011

Os sábios, os democraticidas e o 'delúvio'



Por George W B Cavalcanti*


O cidadão brasileiro não pode se deixar manipular por quem quer que seja que não compreenda - à esquerda ou à direita - o valor universal da democracia. Porque, querer que o petismo entenda o que é verdadeiramente democracia equivale a esperar que o xamanismo formule uma nova Lei da Termodinâmica.

Tenhamos bem claro e levemos em conta de que, a Presidente (/a?) à época da sua campanha, assinou e depois voltou à trás - em uma evidente manobra de pragmática dissimulação com fins eleitoreiros - em proceder a publicação do seu programa original de governo, um texto furiosamente esquerdista.

Houve a vitória do segundo documento petista que, é uma visão de mundo distorcida e perigosa, em especial no que se refere a um dos pilares consagrados da democracia - a liberdade de expressão. Porque a imprensa, seja ela falada, escrita, televisada ou digitalizada já presta contas ao Poder Judiciário.

A democracia começa a morrer quando quando um partido no governo - pela via do aparelhamento e da partidarização do serviço público - quer se arvorar em juiz da imprensa ou de quaisquer outras atividades que, por serem conquistas civilizatórias, não pertencem ao universo oficial.

A proposta petista é contaminada pelo mesmo ímpeto liberticida que na União Soviética, Cuba e Coreia do Norte serviu de base para a supressão da imprensa intependente. E que, por fim, matou a liberdade de jornais, revistas, televisão e rádio -, e, restringiu ao mínimo o acesso de suas populações à Internet.

Não permitamos, pois, que insidiosamente instalem no Brasil uma ditadura neocomunista 'bolivariana'. Cujos mentores buscam - à moda de Josef Stalin, Pol Pot e Enver Hoxha e outros do mesmo 'naipe' - decidir o que se deve ou não saber, e o que se pode ou não ter conhecimento nas atividades de governo.

Cabe nos posicionemos firmemente contra grupelhos totalitários manipuladores e enganadores. Os quais, demagogicamente hoje se servem à farta dos votos dos famigerados 'currais eleitorais' do velho 'coronelismo de touceira', que antes tanto alardeavam combater.

Ronda o Brasil uma camarilha neocomunista atéia, aboletada no poder e babando ante o poder, 'para o poder pelo poder'. Carreiristas em uma perspectiva histórica e ideologica varrida da história. Vide os atuais três únicos países de governo socialista: Portugal, Grécia e Espanha; todos clientes do óbulo capitalista.

Permitir a democraticidas e liberticidas que se perpetuem no poder será um ledo engano. Perigoso, senão fatal para o democrático e generoso povo brasileiro, historicamente zeloso de suas liberdades.

Aí estão a petulância e arrogância petista, a afrontar ao relicário constitucioal da ética e da moralidade pública. Quando, a sua cúpula o expulsou para - passadas as eleições -, refiliar o seu ex-tesoureito envolvido com 'mensalão'.

E, qual seja o nosso papel face a esse comando de ações espúrias, uma coisa é certa consoante à história: Aos esclarecidos e sábios a absolvição e aos democraticidas e liberticidas as labaredas do inferno.



"Delúvio II - o retorno" (agora com candidatura 'no forno' a vereador de São Paulo). Ninguém merece.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

A vida vinda de trem

Por George W B Cavalcanti


Ao longe, cruzando o ‘Vale do Mundaú ora verdejante ora esturricado por um sol abrasador, via-se com regularidade seus cogumelos de negra fuligem suceder-se em cascata densa e pesada –; por obra e graça da física permanecendo por um tempo suspensos no ar. E, tangidos lentamente pelo vento suavemente iam esvair-se na amplidão do cenário. Impactante espetáculo que, temporariamente, encardia o azul celeste e aditavam tons mais escuros às nuvens invernosas que timidamente se achegavam.

À medida que se aproximava fazia tremer o chão que, como um imenso tambor ressoava o seu barulho surdo e irrefreável; como se fora um aguardado pequeno terremoto cotidiano, quase sempre pontual. E que, ao estacionar na plataforma da estação local de embarque e desembarque de passageiros e cargas, sua presença tinha para toda a comunidade o sentido e o efeito similar ao toque de um imenso carrilhão –; que a todos conclamava para o progresso e para a modernidade.

Senha divisória de etapas no cotidiano e, das lides, compromissos e decisões individuais ou grupais. Definia se ainda havia tempo ou se já passara da hora, se ainda estava por começar algo, fazer intervalo ou de lamentar o que se perdeu. Porque em função dele se podia chegar, partir ou – tardiamente – e, com a visão do seu último vagão sumindo ao longe na curva dos trilhos –; lamentar, chorar, sentir saudades ou tentar uma odisséia qualquer para se chegar a contento ao seu destino.

Assim era o nosso querido e saudoso ‘trem de ferro’, das tantas memórias da minha infância. Instituição de transporte que à época parecia ser portentosa e definitiva, mediante aquela locomotiva algo majestosa e solene que aguardávamos com ansiedade e um renovado ‘frisson’ de expectativas. Quando o seu comboio arrebatava os espaços e as atenções de antanho após chegar célere e determinado e de – impávido e viril –, adentrar a intimidade da topografia –; pedia ‘licença’ somente ao Chefe da Estação.

Era ao mesmo tempo um aríete de vencer barreiras e resistências e uma ígnea serpente que, com os seus meneios seguia mundo a fora a dinamizar todos os ‘chacras’ sociais. Até porque o seu resfolegar cadenciado ecoando nos paredões das serranias quebrava todos os marasmos criando êxtases e delírios. Provocava sempre grande alvoroço; corações acelerados – quase a “pular pela boca” –, em quem esperava, chegava ou partia. E, era-lhes comum a ocorrência de tonturas e enjôos no devaneio das primeiras viagens.

O menino atento gostava de observar a pesada arquitetura que emoldurava as cenas na plataforma da estação ferroviária. Fervilhante de pessoas aos encontrões, crianças assustadas, carregadores de frete e, de vendedores de guloseimas regionais e frutas sazonais –; todos em frenética procissão junto à composição de passageiros. Contudo, a minha especial satisfação era poder sentir o ‘cheirinho’ dos jornais e revistas novas encomendados ao jornaleiro do trem por meu pai –; e, que eu folheava avidamente enquanto saltitante os levava para casa. Era um incansável ritual que, pontificando aquelas tardes de domingo, aditava ao pequeno burgo ‘pitadas’ dos exóticos temperos e costumes das metrópoles.


União dos Palmares - AL, 14 de novembro de 2008.

Rádios de Israel - escolha a estação

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