Saudação

Olá! Este é um espaço de escrita criativa com um toque de humor, e expressão da minha vontade de me aproximar do poder revelador das palavras. Testemunho do meu envolvimento com a palavra com arte, e um jeito de dar vida à cultura que armazeno. Esta página é acessível (no modelo básico) também por dispositivo móvel. Esteja à vontade.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Engodo Visto do Alto da Serra



Por George W de B Cavalcanti*

Toda a empáfia é só promessa e propaganda farta,
Em se fazer vistosa como se fora algo permanente,
Maldade e olho gordo nessa funesta farra de cobiça,
Nem tudo o que é belo é bom, por mais que pareça;
Ente maldoso não sabe o quanto nos é transparente.

Beleza má não consegue enxergar o seu mundo falso,
Em essência, se a tem, é a sina do pensar equivocado,
Achar-se o esperto e ao outro um tolo é coisa de tarado,
O concurso fútil e fraqueza de uma alavanca sem calço;
Sem nobreza, é beleza que a espuma deixa no passado.

Apenas restolho quando a maré recolhe os carnavais,
Por mais que de dia tenha cores e lantejoulas na noite,
Sempre há quem cate a sujeira e a estenda em varais,
Um olhar acurado que rasga fantasia como fora açoite;
Engodo precipitado às escuras profundezas abismais.

Mas, boa beleza procura achar em si a beleza do bem,
Busca e favorece assuntar outro tanto bem que existe,
No mistério do olhar gentil que transmite tanta certeza,
A bondade a pulsar mesmo no silêncio da coisa quieta;
Toda a insistência da vida que renova tanto a natureza.

A bondade é saudável, oferece o seu olhar serenamente,
Mas, o da maldade é irrequieto e arredio à contemplação,
Não condiz à verdade e contradição sempre transparece,
Há treva contra luz no seu pensar em guerra permanente;
Notório jeito, típico de quem acabou de fazer um mal feito.

O tanto ser, maior do que o ter, é o que em verdade importa,
Justo é o seguir firme, com olhar sereno e o cabelo prateado,
Resistir aos que a memória não perdoa e o passado condena,
Tão leigos em verso e prosa, mas versados em fechar a porta;
Zumbi da serra do vale, em ilha de atraso, é grito não escutado.



quinta-feira, 7 de julho de 2011

Ao Estender dos Versos



Por George W de B Cavalcanti*

Se bem ouso revelar-lhes minha história,
Suscito que saibam então como subsisto,
Pois ninguém por aqui há que abra porta;
Para que adentre na réstia da esperança.

Ao menos, a pequena janela da gratidão,
Para desmentir o desamor desse mundo,
E que buscar ser justo não é inglória luta;
Mesmo com tanta gente alienada e tonta.

No girar desse grão em pedra de moinho,
Que segue em frente sem ir a algum lugar,
Nesse êxtase político que não é rascunho;
Nem projeto e protótipo de algo exemplar.

É procissão fisiológica em marcha errática,
Enquanto supero o tédio e ausência social,
Sem grife nem festa e sem andar na moda;
A minha ficha limpa seca ao vento no varal.

Desatrelado de canga destilo a informação,
O pensar e a meta para quem me conhece,
Nesse emaranhado a regra é a contradição;
Que manda e não socorre a quem obedece.

Com treliça de ideias coloco a minha aposta,
Conversa poética a dar nó em pingo de ouro,
Assim bom humor tempera a minha resposta;
Versos no varal não tardam em cobrir o couro.
 


domingo, 26 de junho de 2011

Transfusão de Memórias Minhas



Por George W de B Cavalcanti*


Voluntariamente, coordenei os comitês municipais,
Mas, a cidade não comenta, o meu espírito público;
Até parece que, os tais registros, nem existem mais.

Relatei a lei regulamentadora do ‘ECA’ em nível local,
Tudo laboriosa parceria com a liderança comunitária;
Mas, nem se comenta daquele trabalho exitoso afinal.

Ensinei em suas turmas do técnico-profissionalizante,
Docência zelosa do saber a receber salário simbólico;
Mas, aquele labor pela cidadania parece algo distante.

Treinei e inseri a seus jovens no mercado de trabalho,
O ramo dos medicamentos lhes foi um santo remédio;
Mas, por haver gerado a emprego e renda, nada valho.

Atuei em rádio AM, fui repórter e comunicador popular,
Comando da Tarde, um programa dominical vespertino;
Mas, tamanha utilidade pública, não parece sensibilizar.

Secretariei e fundei o seu internacional clube de serviço,
Prova cabal de apego à virtude, a escalar bom conceito;
Mas, a essa página da história também já deram sumiço.

Militei a politica partidária sempre com afinco e denodo,
Respeitando estatuto, hierarquia e o mais alto interesse;
Mas, nada credita ao tanto que fiz pela parte e pelo todo.

Ombreei-me ao trabalhador e defendi ao meio ambiente,
Candidatei-me vereador duas vezes e não comprei voto;
Mas, por não alimentar seus vícios deixei-a descontente.

Dirigi, no município, a maior escola de ensino fundamental,
Recuperei prédio, farda, merenda e até sua banda fanfarra:
Mas, desdenha todo bem ali ministrado e até parece fiz mal.

Coordenei uma equipe técnica em nova secretaria de estado,
O NEAS - Núcleo Estadual de Atendimento Socioeducativo;
Mas, nem liga ao bom resultado de por ali eu haver passado.

Então, é burgo a esquecer de mim e que nem a si reconhece,
A desprezar ambos os seus poetas nascidos no mês de abril;
Mas, o seu tosco tratar enfim resulta numa cidade que adoece. 



domingo, 19 de junho de 2011

Viajando na Luz



Por George W de B Cavalcanti*


Então, que eu vi decerto,
Somente era rua deserta,
Paisagem de azul incerto,
Mantinha a alma desperta;
Nada ali era junto ou perto.

Rota fria de puro silêncio,
Ninguém por ali a passar,
E, nem pássaro a saudar,
Na tarde em lento declínio;
Ao tempo do novo milênio.

A viagem que bem condiz,
À emoção, amor nostalgia,
Fez meu coração voar feliz,
Bailar essa gentil luz tardia;
Cortar silêncio que algo diz.

Sua vistosa beleza distante,
Luminosa promessa faceira,
Convidativa como horizonte,
Ao final de uma tarde inteira;
Consome a um poeta errante.

Via-me naquele verde jardim,
No qual se afirmava sutil a lua,
Sem a bela flor diante de mim,
Assim prateou com a luz a rua;
Era um luar, e nela viajei assim.


sexta-feira, 17 de junho de 2011

Tome Tento

Por George W de B Cavalcanti*


Se, queres do bom saber, a contento,
A poesia que nos vem à asa do vento,
Provando sobreviver em hostil relento;
Traduz amor e luz em transbordamento.

Pousa o verso e repousa o pensamento,
Credita a mente poética o merecimento,
Ao lograr vitória sobre o mundo violento;
Desmando que manda cada novo evento.

A perfídia espalha a prole pelo casamento,
Quando poder e maldade geram o rebento;
Que mama leite podre desde o nascimento.

O porvir é pesadelo de inconfessável intento,
É maligna ganância, sem pejo ou sentimento;
Sem que abram a olhos esse povo desatento.



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