Saudação

Olá! Este é um espaço de escrita criativa com um toque de humor, e expressão da minha vontade de me aproximar do poder revelador das palavras. Testemunho do meu envolvimento com a palavra com arte, e um jeito de dar vida à cultura que armazeno. Esta página é acessível (no modelo básico) também por dispositivo móvel. Esteja à vontade.
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domingo, 26 de setembro de 2010

Sabor de Melodia


Por George W B Cavalcanti*


Então escrevo poesia,
Em um mundo que fica triste;
Porque tristeza é sempre arredia.

Assim, escrevo poesia,
Movido ao pulsar primitivo;
Que conduz esse rumo de vida.

Sigo a escrever poesia,
Porque ela exercita a alma;
E arrefece o que me angustia.

Meu viver cercado e marcado,
Pelo vil metal no voraz mercado;
Ao resistir a ser mera mercadoria.

Pouco ter é o fugaz existir,
Sem o qual nem o descreveria;
Nesse pleno exercitar do meu ser.

Aproveito e escrevo a revelia,
Enquanto sinto que se negue ver;
Que mais um pouco e não existiria.

Impulsiva é a letra, início,
No reinventar um sonho de ser;
Degustar intenso prazer do verso.

Enfim, escrevo poesia,
A fiel cúmplice compassiva;
Da letra como lágrima vertida.

Que nesses rumos tantos,
Ao tanto me insinuar alegria;
Escrevo como se fora um alento.

Letras tantas e incontidas,
Contudo, sem lograr o exaurir;
Meu pensar com sabor de melodia.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Papo de Sapo

Por George W B Cavalcanti

(para crianças de 8 a 80 anos)


Eu vi a rã rebolando a rabeira redonda,
Comendo rabanete e rabanada recente;
Era um ritual ritmado romântico e radiante,
Que a rechonchuda radical fazia ouvindo a rádio.

Nem ligava se o ruivo sapo rabugento ralhava,
Raivoso, querendo rachá-la com “rabo-de-arraia”;
Não era racismo, recalque e nem recíproca rejeição,
Mas sim a radiografia recente de um rústico romance.

No caminho da roça realmente era ruidosa a romaria,
De sapos, rãs, caçotes e até pererecas, rasgados em risos;
Em pedras, em galhos e em folhas, ali eram só festa e alegria.

Chegaram todos, rodearam a reluzente rã e o rubro sapo,
Que, apaixonado, esquecera a rabugem e também rebolava;
E rouco era o seu roncar, de tanto ressoar o tambor do seu papo.


União dos Palmares - AL, 25 de setembro de 2008.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Emoções Maduras

Por George W B Cavalcanti


Sinto-me como se fosse crisol transbordante,
Pelas emoções antes em infusão adormecidas,
Agora a dar voz de comando no meu coração,
Determinando que eu mais ousadamente clame;
A ti por amor, à lua por luz, à estrela por brilho,
Nesse meu insólito caminhar de feliz andarilho.

Parece-me que perdi um descabido pudor,
O de me sentir poderosamente indefeso e puro,
Pairar acima do mal, em estado de plena graça;
Sou refém-voluntário inoculado de paz e alegria,
Que se instalaram em mim o mais explicitamente,
Como um acorde musical que ilumina ao rútico,
Na apoteose vibrante que há na grande sinfonia.

Sigo inebriado por aromas e sabores desse êxtase,
Como a degustar o bom vinho de uma safra antiga;
Especial, pois há muito guardado na adega da vida,
E que, enfim me foi servido gentil e graciosamente,
Sobre o mais puro linho e em taça de teor cristalino.

Inusitadamente flagro-me caçoando dos tais idiotas,
Rindo de cobras, lagartos e até das bestas dementes,
E, a desdenhar de viciosos e de cobiçosos inveterados;
Gargalho e canto como se houvesse até me embriagado,
Por insuspeito poder etílico que há em um amor destilado.

Ainda há bem pouco tempo não ousaria sentir-me assim,
Ter meu semblante sereno e feliz como o de uma criança,
À qual, nada e nem ninguém consegue sequer perturbar;
Porque este sorriso que faz emanar luz dos meus lábios,
É o triunfo do poder que nasce e renasce da esperança.


União dos Palmares - AL, 07 de julho de 2008.

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