Saudação

Olá! Este é um espaço de escrita criativa com um toque de humor, e expressão da minha vontade de me aproximar do poder revelador das palavras. Testemunho do meu envolvimento com a palavra com arte, e um jeito de dar vida à cultura que armazeno. Esta página é acessível (no modelo básico) também por dispositivo móvel. Esteja à vontade.
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domingo, 4 de setembro de 2011

Meu bonsai literário



Por George W de B Cavalcanti*


Para justificar o título desta postagem, vou primeiro tangenciar a problemática existencial caraterística dos que tem o que se convencionou chamar de 'alma de artista'; na acepção original do termo. O que, por ser algo inato tem característica transcendente e, portanto, jamais é plenamente explicável. Até porque quase que totalmente incompreensível para os dela não dotados, enfocarei a respeito lampejos pertinentes que no momento me ocorrem.

Como acontece com toda história da vida e de consubstanciação da lenda pessoal dos assim identificados - algo que, via de regra, acontece após a morte -, diversos e insuspeitos fatores cronologicamente colaboram para a realização - nunca exaurida em seu mistério - da personificação dessa iridescente luz. Que, a uns encandeia, a outros embevece e a outro tanto incomoda; posto que a treva não afasta a luz, mas, o contrário é inevitável.

Entendo ser algo não presumido e isento de presunção, e um toque de genialidade que traduz claramente a presença do criador na criatura. Dotação singular ou plural no diferenciado portador de mesma, mas, sem dúvida, um fator geneticamente transmitido. Integrado e amadurecido pelo exercício do inerente dom na mútua relação que resulta na consolidação da lenda pessoal. A vida em ganho de significado pela inserção na história de páginas de beleza e encantamento.

A cultura na qual se nasce, cresce e desenvolve, o roteiro socioeconômico da família, os valores e o ambiente familiar, a quantidade e qualidade da educação formal recebida, a saúde pessoal e oportunidades de expressão do talento, estarão presentes e impressos na alma e na obra do artista. Nela, jamais descartando a atuação do imponderável, no que se inclui o nascer, viver e/ou permanecer em cidade pequena. Onde, com raras e honrosas exceções, se é menosprezado, ignorado e não raro reprimido; alvo da intolerância ao diferente e ao novo, típico dessas sociedades.

Tente esculpir em tal bloco contextual uma inovação emanada de especial percepção para ver o que te acontece -; terás que cinzelar o mais duro granito, acredite. Assim, quantos - em tendo diferenciado pendor criativo - não passaram pela desdita de conviver em rincão parado no espaço e no tempo; onde a biodiversidade pode até ser exuberante, mas, o espírito insurgente não é permitido. Tal conservadorismo - insegurança diante do questionamento - e reacionarismo à singeleza revolucionária do talento é a expressão mais corriqueira dos acomodados e, a arma política impiedosa habilmente manejada pelos mais poderosos do local.

Levam a vidinha ignóbil e pueril característica dos adoradores do "bezerro de ouro" e da "vaca sagrada". A amputar o espírito e a se colocar, pela supressão da empatia, em franco processo de psicopatia - segundo afirma a atual psiquiatria -; até que, sem carne ou leite algum, os consuma o profundo e escuro buraco do remorso. Traço de personalidade e resultado final comum, tanto à mente do humilde iletrado nativo quanto aos ditos "medalhões" dentre os déspotas locais mais esclarecidos. A resistência granítica à transformação e mudança igualmente os permeia; e, a sofrida alma do artista só terá pela frente horizonte de tormentas.

No que me diz respeito - se assim posso me incluir -, como quem luta para transformar o dom em ofício; escrever me gratifica interiormente sobremaneira. Embora eu já tenha escutado algumas vezes me dizerem, em tom jocoso, "o que é que você está ganhando com isso?" Quando então sinto dó da intelectualmente deserdada criatura, mas, principalmente, quanto ao seu aleijão emocional. Mas, persisto porque continuo a ser movido por convicção, ideal, sonho e esperança. O suficiente para escrever por pura realização íntima e deleite - e, até a presente data, sem ganhar nenhum dinheiro com isto. Contudo, para felicidade ou desgosto a depender do ponto de vista do caro leitor asseguro que, ao incursionar pelo campo das ideias a bordo das minhas palavras me percebo como que a trazer à luz nova vida. Bem entendido, os meus escritos; rebentos de gravidez pelo conhecimento acumulado -, da união que me faz "padecer num paraíso".

Não importa se não vejam a minha literatura como algo maior - a semente de mostarda é modelar -, ela vale principalmente a realização integral do seu semear. Tenho certeza que um dia será uma robusta muda e - um tempo mais - frondosa árvore com generosos frutos. Continuo também porque não quero a essa altura da vida outra profissão que não o transitar entre prosa e verso; e, seguir em frente com grafite e palpite. Também porque isto para mim tem efeito lúdico; cato as palavras sentindo o frisson de competidor em jogo de varetas: meticuloso calmamente até colher a última, por não haver tirado de lugar a nenhuma anterior. O que me garante o privilégio de degustar o doce sabor da vitória ao concluir cada texto que escrevo. Indo a forra dos abastados e presunçosos que de mim desdenham, mas, que não conseguem - por mais que o desejem - escrever algo significante.

Enfim, este dom que entendo possuir; figurativamente o cultivo qual à exótica e fascinante pequena árvore. Com a paciência e acuidade de um oriental que no fascinante afã, igualmente se beneficia do telúrico e do cósmico -; quando, em minha mente firma suas raízes e se expande em todas as direções. Mas, singularmente a suscitar os meus cuidados: com a sua troca de vaso, eficiente irrigação e adubamento; e, poda regulamentar dentro de uma visão estética de embelezamento. Dela me apraz cuidar cotidianamente porque está sempre acessível; em mim mesmo. E, meu coração é humos que nutre o meu bonsai literário, que requer como vaso apenas o espaço de uma cabeça. Assim, espero contar com a vossa nesse milagre; do cuidado, nessa forma de vida exiguamente acondicionada, mas, pulsante de um amor imensurável como o universo.


quinta-feira, 14 de julho de 2011

Sopa de alertas - compartilhe com os amigos

Como fazer


Com ingredientes tipicamente brasileiros, essa receita traz o sabor do nordeste para o cardápio diário. Também conhecido como caldo cultural, esse prato é ótimo para ser preparado no inverno, pois esquenta e restaura! Embora não seja dos pratos mais consumidos no Brasil, é deliciosamente temperado e bem recomendado para servir antes do almoço de domingo ou no final de uma festa.

Ingredientes
- 1 colher de sopa de margarina a 0% de lipídios
- 1 litro de água de lagoa despoluida
- 2 dentes de alho batidos na madeira
- 1 litro de sururú descontaminado
- 3 colheres de sopa de cheiro verde e amarelo picado
- Sal a gosto
- 2 xícaras de chá de filosofia ralada (veja ilustração)

Alagoas, se observado de perto, revela-se um estado ‘da elite para a elite’ imutavelmente, por incrível que isto possa parecer. E, os versos abaixo - transcrição de uma das minhas postagens neste blog -, se referem às minhas atividades aqui desenvolvidas no período de 1991 a 2006. Anos de atuação principalmente em prol dos mais elevados interesses, mas, relegados ao descaso e desdém pelo referido contexto.

Portanto, nos mobilizemos, para que a classe política e a administração da coisa pública por aqui passe do varejo ao atacado. Que deixemos de ser essa ilha de atraso, na qual as parcas gordas benesses vão de privilegiados para privilegiados. E, que nos equalizemos ao ritmo de desenvolvimento e progresso havido e vivido no país, inclusive nos visinhos estados nordestinos.
(2 colheres de sopa)

- Recadinho interessante:
Somos um país de um povo interessante. Mas, interessante é como demora a perceber o que realmente é interessante. Como, por exemplo, uma escala interessante de valores morais e éticos. Porque esta é a coisa mais interessante que poderia acontecer a esse povo. O qual, para obter benefícios mais interessantes, deveria se interessar mais pelo que mais interessa ao seu melhor interesse: reformas de base e valorizar as pessoas interessantes pelo seu conteúdo. E, por aquí vamos fazendo a nossa parte, na esperança de nos tornarmos mais interessantes a quem interessar possa. (3 colheres de sopa)

Modo de preparo
  • 01 Numa panela grande, aqueça a margarina e frite o bacon até dourar. Em seguida, acrescente as tiras de frango e doure também.
  • 02 Junte a cebola, o alho e refogue por 1 minuto. Coloque o tomate batido, o caldo de galinha e cozinhe por 2 minutos.
  • 03 Adicione aos poucos o fubá dissolvido e misture bem até obter uma mistura homogênea. Cozinhe por cerca de 10 minutos e por último acrescente a couve.
  • 04 Prove e se necessário tempere com sal. Distribua a sopa em pratos fundos, salpique o cheiro verde e sirva em seguida.

Informações nutricionais por porção
Valor Calórico 185kcal = 774,56kJ
Carboidratos 14g
Proteínas 12g
Gorduras Totais 9,1g
Gorduras Saturadas 3g
Gordura Trans 0g
Colesterol 25mg
Fibra Alimentar 2,3g
Sódio 226mg


domingo, 26 de setembro de 2010

Sabor de Melodia


Por George W B Cavalcanti*


Então escrevo poesia,
Em um mundo que fica triste;
Porque tristeza é sempre arredia.

Assim, escrevo poesia,
Movido ao pulsar primitivo;
Que conduz esse rumo de vida.

Sigo a escrever poesia,
Porque ela exercita a alma;
E arrefece o que me angustia.

Meu viver cercado e marcado,
Pelo vil metal no voraz mercado;
Ao resistir a ser mera mercadoria.

Pouco ter é o fugaz existir,
Sem o qual nem o descreveria;
Nesse pleno exercitar do meu ser.

Aproveito e escrevo a revelia,
Enquanto sinto que se negue ver;
Que mais um pouco e não existiria.

Impulsiva é a letra, início,
No reinventar um sonho de ser;
Degustar intenso prazer do verso.

Enfim, escrevo poesia,
A fiel cúmplice compassiva;
Da letra como lágrima vertida.

Que nesses rumos tantos,
Ao tanto me insinuar alegria;
Escrevo como se fora um alento.

Letras tantas e incontidas,
Contudo, sem lograr o exaurir;
Meu pensar com sabor de melodia.

sábado, 13 de dezembro de 2008

O segredo de Mona

Por George W B Cavalcanti


Folheando os meus rascunhos de diversos gêneros como costumo fazer, qual não foi a minha surpresa senão encontrar os meus primeiros ‘rabiscos’ de A Réstia, um dos meus poemas mais apreciados. Naquele achado fui envolvido pela mesma emoção que me conduziu, outrora numa escalada de inspiração; do coração ao papel, depois ao computador e agora via ‘web’ até vocês. Naquele momento aconteceu que, por felicidade, me veio à lembrança um episódio ocorrido com o Dr. Jonas (nome fictício) um psicólogo e meu colega de trabalho no atendimento a adolescentes com dificuldades pessoais e sociais; jovens internos do NEAS, antiga FEBEM, cuja equipe técnica da unidade estadual eu coordenei, em Maceió, (cargo em comissão) durante um (1) ano – de 2004 a 2005 – mas, vamos ao relato.

Contou-nos ele que, clinicando foi procurado por um jovem casal apreensivo com os freqüentes diálogos imaginários da sua primogênita de nome Mona (assim a chamaremos aqui) que, segundo informaram-no, ocorriam entre a filha e personagens fictícios por ela inventados quase todas as manhãs entre as 10 e 11 horas. Segundo ele, os dois aflitos consulentes acrescentaram ainda que, o ‘fenômeno’, acontecia sempre junto a uma mesma janela da casa na qual moravam e, num canto pouco arejado que ela escolhera para recolher-se por momentos a fio em meio aos seus queridos brinquedos.

Frisou o nosso analista-relator que, os neófitos genitores, quase à beira de um ataque de nervos, rogaram-lhe que lhes salvasse a filhinha, pois temiam pela sanidade mental da sua ingênua e solitária ‘pequena tagarela’. Ao que o doutor, disse-nos, de pronto procurou acalmá-los assegurando a trivialidade desse tipo de ocorrência na infância; mas, como pareciam alarmados e insistiam, aceitou cuidar do caso.

Prosseguiu em seu relato dizendo-nos que, visitou a família em foco e após alguma observação comportamental da criança à distância, logrou aproximar-se da menina e foi surpreendido com um momento que considerou marcante na sua vida profissional e pessoal. Salientou que, em ocasião oportuna – após a sua pequena paciente anuir em compartilhar o seu exótico momento – e, com o adequado jeito, perguntou à menina: - ‘Moninha’, você está conversando com essa claridade que vem dessa janela? – e completou –, esse facho de luz chama-se réstia, sabia?

Continuando disse-nos que ela olhou-o bem nos olhos e, a seguir, com a sua linda mãozinha já estendida sob os raios de sol, corrigiu-o à sua maneira dizendo-lhe: - Não, ‘tio doutor’ (assim ela passara a chamá-lo), isto ‘é raios de anjos’ – e continuou –, são eles avisando que estão cuidando da gente; e, acrescentou: sabe o meu ‘vô Totonho’ que foi para junto de ‘papai do céu’; aquele que todo mundo dizia que ele era um anjo, ele está cuidando de mim agora!

A seguir o Dr. Jonas descreveu o sorriso que a pequenina estampara, olhando a luz e o vazio, como sendo: suave e enigmático. A associação com o da homônima historicamente famosa, transformado em um enigma por Da Vinci foi, imediata e inevitável. Enfim, salientou que prescreveu uma indicação para a criança; um remédio que eles mesmos, os pais, teriam que produzir e que era tudo o que o sintomático sorriso da Mona pedia: mais tempo e atenção a ela dedicados e, com urgência, elevadas doses de afeto, amor e muito carinho; concluiu.

Naquela feliz oportunidade estava reunida quase toda a nossa equipe técnica almoçando em torno de uma grande mesa. E, teria sido para nós apenas uma refeição a mais na rotina, não fora aquele repentino sabor salino característico e indefectível presente em cada boca. O gosto da lágrima; um suave tempero que, muito apropriadamente, acrescentou um toque todo especial aos últimos bocados deglutidos ali com resignado esforço, naquele inesquecível momento entre a dificuldade e o êxtase.

Concluimos que, tão marcante quanto, foi compartilharmos da sua rica e até poética experiência clinica; e, maior a lição que ali obtivemos: que, para nós adultos, é quase sempre inimaginável a importância indelével do afeto e seus agentes - especialmente mãe, pai, e, até mesmo um idoso avô - na vida de uma criança.


União dos Palmares - AL, 05 de julho de 2008.

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