Saudação

Olá! Este é um espaço de escrita criativa com um toque de humor, e expressão da minha vontade de me aproximar do poder revelador das palavras. Testemunho do meu envolvimento com a palavra com arte, e um jeito de dar vida à cultura que armazeno. Esta página é acessível (no modelo básico) também por dispositivo móvel. Esteja à vontade.
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terça-feira, 8 de outubro de 2013

Coroa de espumas



Por George W de B Cavalcanti
(texto atualizado em 10.10.2013)

Sucessão nessa úmida cena,
Produz um tempo aspergido,
Na alternância de ida e vinda;
O reluzir da porção pequena.
À plena noite ou início do dia,
Como se fora o mar em cristas,
A deixar o seu rastro e melodia;
Fugaz, a desafiar tantos artistas,
Com bramir ou carícia que alivia.

Esse corolário, não é nada à toa.
Leva-o, pois, do coração à fronte,
Resíduo airado e além de rumos.
A iluminar longe o seu horizonte,
Refaz, e torna a cada manhã boa.

Faz como eu que, colho espumas.
Levo-as à cabeça, próximo ao céu,
Assim, afasto denso véu e brumas.



(Ilustrações, fonte: Google Imagens)

domingo, 22 de setembro de 2013

Hora nobre


Por George W de B Cavalcanti
(texto atualizado em 23.09.2013)
 

Na vida há algo
Que nos enleva.
Por demais sutil
Até nos ensina,
A leveza de ser;
O sublime amor.

À hora mais nobre
Quando antecede
Ao manto da noite,
Que tudo encobre.

Tenha sua atenção
Nos contritos sons.
Nesse céu de cobre
O amor maiúsculo
Solta os seus dons.

Suavidade intensa
Há na hora mágica
E, na razão imensa
De cada crepúsculo.
 
 
 
 
 


(Ilustrações, fonte: Google imagens)

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

A réstia

Por George W B Cavalcanti


Era por volta das onze horas num tempo feliz e o dia já ia alto, quando em minha peraltice vi e achei das cenas mais fulgurantes. Foi um facho de luz, um canal translúcido, a exibir as suas partículas, como se fora a poeira de um tempo preguiçoso a flutuar exibindo cansaço. Ali, diminutas e brilhantes, ora fagueiras ora lentas mas sempre mutantes, enquanto lá fora, a hora clara da lida lenta difundia no mormaço o seu hálito.

Àquela altura eu era um misto de inocência e de imaginação fascinada que vagava alheia às cenas domésticas da minha primeira morada; uma pequena ilha num mar de infindáveis e batidas rotinas domésticas, indiferente ao costumeiro pregão de um mascate que gritava na calçada. Tudo, então, parecia-me naquele afã uma novidade sempre surpreendente a trazer-me de chofre e, a qualquer momento, as mais exóticas facetas da vida.

Numa cidadezinha em que o cotidiano alternava os seus marasmos com eventuais burburinhos foi, na casa da minha infância, de lúgubres recônditos e chão de cimento - num instante de contemplação, em meio às minhas trelas e alegres correrias - que, a luz pertinaz e a fresta do telhado cúmplices deram-me o alumbramento.

Atônito, contemplei embevecido e, por pouco não saí dali voando até à pracinha para encontrar meus coleguinhas e, dizer-lhes em palavras entrecortadas pelo cansaço: Meninos olhem, eu juro que vi, o tempo descendo do céu numa encanação do espaço!


União dos Palmares - AL, 20 de julho de 2008.

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