Saudação

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sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Recado reggae [confissão*]


Por George  W de B Cavalcanti
 
Não se surpreenda
Também sou assim,
Um tanto diferente.
É que não sei arrancar
Do meu corpo caboclo
A pele da minha alma.
Por herdar a essência,
Da verve lusa, judaica,
Índia, negra e cafusa;
Às vezes até confusa,
Mas, pura e brasileira.
 
Bem sei que o reggae
Os grilhões arrebenta,
Porque dá nosso recado
Enquanto se reinventa.
Recupera toda herança
Devolve com harmonia
Meu coração de criança.
Às vezes até revoltado
Pelo político e pregador,
Rotina de tristeza e dor
No tanto mal espalhado.
 
O reggae é remédio bom,
Semente com a memória
De  amor, paz e harmonia.
Som com verdade e poesia,
Bom  astral muito dançante
Que nos faz assim  contente.
 
Faz a cabeça e chama gente
Que sem o reggae fica à toa
a jogar tanta conversa fora;
Melhor é escutar coisa boa,
Musica de raiz com carinho.
E embalar a luz que condiz
À boa causa, nunca perdida.
Mexe com gente que dança,
Se o embalo é bom, de raiz.
 
 *[Num desses dias em que o ‘astral’ está baixo, amanhecendo, escutei a música ‘Não Basta Ser Rasta’, do grupo musical ‘Tribo de Jah’, e, enquanto curtia a beleza da música e da letra, pensei: meu D’us, esse pessoal além de ser meus compatriotas são, à exceção de um, deficientes visuais (cegos). O meu coração se inundou de júbilo e os meus olhos de lágrimas.]   
(Ilustrações, fonte: Google Imagens)

domingo, 1 de abril de 2012

Lágrima incandescente

 Da. Gerusa (92); luto, pranto e reza no enterro do filho e da nora, em 29.02.2012



Por George W de B Cavalcanti*


Noites que me arrastam em nostalgia,
como a perseguir gemidos pelo mundo
e a empurrar lentamente os meus dias;
que os perco e ganho a cada segundo,
ao alcançar vitória em meio às agonias.

Enquanto prossigo a resistir ao açoite,
e, a mata frágil esconde ecos da serra
sem o som dos tambores da liberdade
há muito calados na barriga do monte;
o refúgio, na fuga ao chicote no lombo.

Nesse vale de onde sustento arranco,
a terra clama pelo sangue derramado,
há nódoa, desde tempos de quilombo
até o cotidiano das viúvas lado a lado;
guardo o fortim de quilombola branco.

Ser ingênua criança, caboclo de lança,
talvez o leigo monge eremita internauta
que na solidão à emoção faz cobrança
a colocar antiga locomotiva nos trilhos;
tocar as notas de partituras sem pauta.

Sobre solo sagrado há guerra libertária
além da porta fechada por exílio velado,
o noturno lamento é flexa incandescente;
minha lágrima de fogo sai do imaginário, 
ao rezar minha mãe pelo filho pranteado.




(Ilustrações - fonte: Google Imagens)

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