Saudação

Olá! Este é um espaço de escrita criativa com um toque de humor, e expressão da minha vontade de me aproximar do poder revelador das palavras. Testemunho do meu envolvimento com a palavra com arte, e um jeito de dar vida à cultura que armazeno. Esta página é acessível (no modelo básico) também por dispositivo móvel. Esteja à vontade.
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sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Recado reggae [confissão*]


Por George  W de B Cavalcanti
 
Não se surpreenda
Também sou assim,
Um tanto diferente.
É que não sei arrancar
Do meu corpo caboclo
A pele da minha alma.
Por herdar a essência,
Da verve lusa, judaica,
Índia, negra e cafusa;
Às vezes até confusa,
Mas, pura e brasileira.
 
Bem sei que o reggae
Os grilhões arrebenta,
Porque dá nosso recado
Enquanto se reinventa.
Recupera toda herança
Devolve com harmonia
Meu coração de criança.
Às vezes até revoltado
Pelo político e pregador,
Rotina de tristeza e dor
No tanto mal espalhado.
 
O reggae é remédio bom,
Semente com a memória
De  amor, paz e harmonia.
Som com verdade e poesia,
Bom  astral muito dançante
Que nos faz assim  contente.
 
Faz a cabeça e chama gente
Que sem o reggae fica à toa
a jogar tanta conversa fora;
Melhor é escutar coisa boa,
Musica de raiz com carinho.
E embalar a luz que condiz
À boa causa, nunca perdida.
Mexe com gente que dança,
Se o embalo é bom, de raiz.
 
 *[Num desses dias em que o ‘astral’ está baixo, amanhecendo, escutei a música ‘Não Basta Ser Rasta’, do grupo musical ‘Tribo de Jah’, e, enquanto curtia a beleza da música e da letra, pensei: meu D’us, esse pessoal além de ser meus compatriotas são, à exceção de um, deficientes visuais (cegos). O meu coração se inundou de júbilo e os meus olhos de lágrimas.]   
(Ilustrações, fonte: Google Imagens)

domingo, 12 de dezembro de 2010

Um olhar sobre a idade



Por George W. de B. Cavalcanti*


Sem hipocrisia nem falsos moralismo há que se admitir que, por um bom tempo de um tempo bom, pernas abertas é o sorriso da vida - "de orelha a orelha"; nem que seja involuntariamente em sonho ou em febril devaneio. Até porque a vida nos faz sorrir ou chorar em forma de pessoas. E, é essa alternância que traz os tipos inesquecíveis à nossa vida.

Acontece que, se nos detivermos por algum momento a nos esguelhar de alguma esquina do tempo, embevecidos nos contemplaremos em dança com alguma/as dela/s. Quem sabe em um grande e belo salão de baile ao som de um bolero, a rodopiarmos até aonde nos permita a memoria e a emoção.

Porque, o que é essa vida senão degustar no tempo os resultados e derramar por ele nossas lágrimas seja elas de tristeza, ternura ou alegria. Tão certo e justo é isto que, sinto pena das pessoas que não choram. Entendo que, nasceram amputadas de alguma parte importante do espírito.

Além de que entender que para este tipo de congênita deficiência não há prótese possível - seja ela fixa ou móvel, outra lição que aprendemos ao longo do escoar do tempo e do vivenciar é que: à medida que envelhecemos torna-se mais difícil imaginar-se em um futuro com dias felizes.

A não ser pelo caminho da fé – embora que “a mulher da foice” troque chaminés por chame nós – temos que reconhecer que somos todos essencialmente jogadores. Uma vez que, desde tenra idade adquirimos o "vício" de apostarmos em nós mesmos.

E, nisto até perde-se o horizonte e se extrapola com prejuízos generalizados que, provocam solavancos no avanço da história; geralmente da dos outros. Pela cegueira de raciocínio que fazem muitos, figurada ou literalmente, cair do cavalo.

Mas, às vezes é preciso se ficar cego diante do espelho para se desenvolver o tato e outras sensibilidades. Para entender que, embora o tempo tenha o seu ofício, o que realmente nos faz envelhecer é a nossa data de nascimento.

Enfim, é preciso regularmente lançar um olhar sobre o tempo, mesmo que seja de esguelha ou de soslaio. Para que, a despeito da nossa data de nascimento, seja perene o nosso sonho. Porque o sonho é a matéria que ajuda a construir pontes no vazio.
 

sábado, 20 de dezembro de 2008

Asas e Caminhos

Por George W B Cavalcanti


Permita-me que fale de turquesas esvoaçantes,
Gratuitas presenças com sua dança de cor e luz;
Quase indescritíveis porque diáfanas e semi-etéreas,
Em regular recorrência que o tempo no espaço produz.

Falo da cena metafórica e poética do meu caminhar,
E de texturas límpidas e luminosas como o céu de verão;
Que ilumina o cotidiano de pessoas e cenas vazias de carinho,
Enquanto eu sigo sozinho e a me encantar com os pássaros azuis.

Convido-te então a trilhar comigo nessa antiga senda,
E, a seguirmos os pássaros azuis sempre que o quisermos;
Traduzir suas mensagens trazidas em suas asas e seus dons,
E, caminhar juntos à revelia das folhas mortas caídas na trilha.

Vamos assim avançar seguindo em suave compasso outra vez,
E, festejarmos a dois o especial simbólico, dolente e bucólico;
Um alado momento como as emplumadas e canoras presenças,
Quando é para nós toda a sinfonia daqueles belos pássaros azuis.

Saiba que não há motivo de angústia em uma bela tarde de domingo,
Quando afinal esse caminho nos conduz a nos amarmos ardentemente;
Num abraço afagarmos e docemente beijar-nos num mundo de interna luz,
Aconchegados ouvindo ao longe nos brindar os alegóricos pássaros azuis.


União dos Palmares - AL, 28 de outubro de 2008.

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