Saudação

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sábado, 1 de maio de 2010

Pandora é aqui: amazônia



Por George W B Cavalcanti


Seria mesmo a melhor opção voltar à Terra, para o meio de humanos que, provavelmente, seria a espécie mais belicosa do Universo? Ou seria melhor conter o seu sistema, lutar para expugná-los do remanescente do nosso mundo de harmonia? E, assim, preservar o ecossistema que faz a conexão com o bem e seu imensurável poder. Sim, fazer consciente parceria com as diversas criaturas, as quais mesmo que ainda não o saibamos, interagem e compactuam naturalmente para um planeta ainda sustentável e em misteriosa harmonia.

Nós todos somos o nosso planeta em sua extraordinária biodiversidade. Basta transpor o perímetro aparentemente limitado ao nosso próprio corpo e superar o comodismo inconsequente do nosso egoísmo e das idéias mesquinhas. Pois, há mais uma chance para essa catarse após assistir o filme Avatar. O qual, mais que uma simple ficção é uma consistente premonição; tecnicamente consubstanciada pelo notável James Cameron. Um diretor cinematográfico cujo talento atende à grandeza da denominada sétima arte.

Pandora, no que nos diz respeito, fica bem ao norte em nosso país; onde – ainda – é produzido vinte por cento de todo oxigênio necessário a continuidade da vida neste planeta. Aqui no território brasileiro há uma vastidão de biomas portentosos, mas, frágeis diante da truculência do interesse econômico; da ganância e da inépcia de gestores e governantes. Mentes não iniciadas em cosmologia, geo-história e filosofia; e, assim, danosas porque não permeadas pela consciência planetária.

Muito provavelmente o nosso nativo indígena amazônico tenha servido como inspirador e modelo para o Na'vi da cinematográfica Pandora. Guardião, supostamente indefeso, de ancestral consciência avançada, sob o verde manto amazônico - realidade sistêmica e fractual superlativa. E, o seu húmus é sustentabilidade a todo o planeta com o seu sutil e fascinante equilíbrio; apoiado que é na parceria entre as leis físicas e os seus elementos químicos característicos.

A cena real amazônica já estaria exaurida não fora os alertas e gritos de todos os "avatares": naturalistas, ecologistas e preservacionistas - esta hora chegou. E, a extremosa metáfora é azul, como o planeta ao qual estamos, todos - hoje e, esperamos, ainda, por tempo suficiente -, vitalmente ligados. Sustentados e em desenvolvimento, nessa generosa gravidez múltipla terreal. Na milenar gestação maior de ciência e consciência.

Assim, é tempo urgente – que se precipita – para conhecer, para conhecer-nos e reconhecer. Para usufruir a dádiva da identificação com a nossa Amazônia-Pandora; vital na composição planetária da qual somos apenas uma pequena porção. Porção esta que consciente da verdade mas com renovada insensatez, teima em ser o organismo vivo mais ameaçador ao grande corpo planetário que o acolhe e sustém.

Imaginamos ocorra uma revisão de paradigmas educacionais ecológicos em todo o planeta. Mas, aqui, urgente é que todos nós brasileiros os entendamos plenamente. Que internalizem a essencial mensagem desse impactante filme, com suas sublimes e proféticas criaturas azuis. Até porque já não basta que sejamos verdes, temos que nos tornar, também "azuis"; também sábios, em nossa árvore amazônica.

Aproveitemos o artístico evento para refletir e para compreender que, cada um de nós tem dentro de si o seu próprio avatar ecológico, ainda que temporariamente adormecido. E, sinceramente, torcermos para que – se não as religiões, as filosofias e as ideologias –, ao menos os “Na'vi”, consigam, enfim, nos acordar para esta premente realidade.

(continua)

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Altares e fogueiras

Por George W B Cavalcanti*


Basicamente em função da consciência de si próprio, o ser humano é capaz de questionar-se sobre o seu eu, atitudes, comportamentos e personalidade; ou seja, elaborar e responder a uma diversificada e contínua sucessão de perguntas sobre suas condições físicas, emocionais e afetivas. A esta capacidade soma-se a consciência do entorno, do seu derredor e do que acontece à sua volta; somatória que, devidamente exercida, caracteriza o que se convencionou chamar de: ‘ uma pessoa centrada’.

Aquela que responde às demandas existenciais sem deixar-se iludir ou dominar por elas, a ponto e sacrificar sua paz de espírito e bem estar. Mas, para tanto, faz-se necessário ser sábio/a o suficiente para não oferecer a si mesmo em libação no altar dos modismos e na fogueira das vaidades; à idolatria do consumismo e da exclusão de consciência de si mesmo e do outro que, termina por consumir a ambos injusta e precocemente. Sem tempo para pensar, sem poder aproximar-se da natureza, tantas vezes sem amigos com quem desabafar; sentindo-se só e alienadas, as pessoas são hoje, mais do que nunca, vítimas de distúrbios emocionais e psicossomáticos.

Nesta época de rápidas transformações e muito estresse, cabe a cada um e ao conjunto da sociedade buscar, nas vertentes do conhecimento e do saber – incluindo e priorizando o teológico e espiritual -; subsídios para que possa lidar melhor consigo mesmo e com os problemas que a vida apresenta. Presas, hoje, da angústia que caracteriza suas vidas – num mundo louco, caótico e competitivo, que valoriza sobremodo o sucesso, a juventude, a beleza e o dinheiro -, o ser humano mais do que nunca se encontra dividido, cheio de dúvidas e questionamentos; necessitando, pois, de ajuda.
Também, incapazes de fazer frente à realidade muitas se entregam à extrema alienação e cada vez mais dela – realidade – se divorciam, realizando-se imaginariamente através de seus sonhos e delírios; em ídolos ou em personagens das novelas -; televisivas ou do cotidiano.

Assim, a competitividade desgasta profundamente as pessoas, porque ninguém pode viver como se a vida fosse uma maratona, que tem que ser vencida a qualquer preço. Contudo, vale aqui arriscar um pouco mais de opinião sobre soluções; e o que posso dizer é que: só a cooperação pode construir e realizar.


*Pedagogo especializado.

União dos Palmares - AL, 03 de julho de 2008.

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