Saudação

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sábado, 21 de maio de 2011

Pororoca de Esculacho



Por George W de B Cavalcanti*


Longa falácia que se enrosca em rosca,
Nesse lerdo engodo medíocre e ufanista,
Da tal nova classe média iletrada e tosca;
Elegia de aloprada sandice neocomunista.

Bem sei que, nela o ser cretino é inevitável,
A surfar nessa onda, pororoca de imperícia,
Feroz cria dessa maloca de onça e cascavel;
Resultado da derrocada moral pela estultícia.

Embaralhado painel é forno a lenha e o facho,
Onde arde contente o náufrago da ignorância;
Ferve em caldo de bandido nesse nosso tacho.

Tanta corrupção que, viceja em penca e cacho,
Enquanto a semente da boa virtude só estraga;
Eu, do meu lado, teço em verso este esculacho.


segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

A Procissão do Mastro

Por George W B Cavalcanti


Guardadas as devidas diferenças, o registro cultural e folclórico que relato a seguir é comparável – embora que em muito menor proporção – ao já globalmente conhecido “Sírio de Nazaré” que acontece anualmente na cidade de Belém do Pará -; só para se ter uma idéia aproximada.

Agora imagine a cena interiorana, na qual vem em nossa direção algo comparável a uma espécie de ‘pororoca’ humana resultante da afluência da fé e da religiosidade. Evento este que, a cada terceiro domingo de janeiro – na cidade de União dos Palmares, no estado de Alagoas –, tradicionalmente adentra as artérias locais e celeremente corre no leito de suas ruas e que, leva de roldão um turbilhão de emoções.

De longe se pode ouvir a sua aproximação porque o bramido ensurdecedor que emite é um misto de crendice popular, superstição e fervor religioso extremado -; expressos pela batida de pés apressados, grande vozerio e intenso foguetório. E, devoção é a palavra-chave do impactante acontecimento que remonta ao ano de 1.839 (mil oitocentos e trinta e nove) e que, a cada ano, precede aos doze dias de festejos à ‘padroeira da cidade’ -; na tradição católica romana localmente predominante.

Continuando a retroceder no tempo e a buscar as suas raízes encontramos que, em seus primórdios, a ausência de tecnologias de comunicação mais eficaz impunha aos paroquianos embrenharem-se nas matas do entorno em busca de uma árvore ‘linheira’ -; ou seja, retilínea a alta no jargão típico. E, que, em festa, erigissem o madeiro fixado ao solo em frente à igreja Matriz -; para que desfraldasse a efígie da santa como aviso de que ali estava se realizando a novena e a festa a ela consagradas.

Ainda hoje milhares de pessoas à cidade acorrem e compõem esta procissão festiva que – dispensando quaisquer sofisticações tecnológicas – mantém intacto o exótico ritual de fé desta tradição centenária. Na qual, corpos suados, braços e mãos sequiosas de fiéis devotos conduzem e soerguem o ‘mastro’-; garantindo assim a perspectiva da sua continuidade e o seu registro nas páginas históricas do nosso folclore maior.


União dos Palmares - AL, 20 de novembro de 2008.

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