Saudação

Olá! Este é um espaço de escrita criativa com um toque de humor, e expressão da minha vontade de me aproximar do poder revelador das palavras. Testemunho do meu envolvimento com a palavra com arte, e um jeito de dar vida à cultura que armazeno. Esta página é acessível (no modelo básico) também por dispositivo móvel. Esteja à vontade.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Uma lei contra a burrice

Por George W B Cavalcanti


Mais uma lei alcança a maioridade no Brasil e, mais uma vez lamentavelmente longe da sua maturidade. No último dia treze (13) do corrente mês de (julho) o Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA, (Lei Federal n° 8.069/1990) completou dezoito anos de publicada (DOU de 16.07.1990, seção I) e, eis aqui - em alguns significativos eventos nacionais - o seu resumo histórico:

1999 – Criada, durante a III Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, a Comissão Pró-articulação responsável em organizar o I Congresso Nacional de Conselheiros Tutelares;

2001 – No I Congresso Nacional de Conselheiros de Conselheiros Tutelares – de 15 a 18 de novembro, em Luziânia/GO – deliberou-se pela criação do Dia do Conselheiro Tutelar (18.11) e por um Fórum, instância nacional de organização dos Conselheiros Tutelares;

2002 – O Fórum Colegiado Nacional de Conselheiros tutelares – durante a I Assembléia Nacional em Campo Grande/MS, é composto com representantes dos Estados e Distrito Federal e, é eleita a primeira coordenação colegiada do Fórum Colegiado Nacional dos Conselheiros Tutelares – FCNT.

Não continuo o histórico propositadamente, para dar lugar a alguma objetividade em relação ao assunto neste país que, parece não conseguir livrar-se da inépcia ante essa basilar problemática. Porque redundantes e inócuas tem se mostrado as nossas práticas políticas, entidades e eventos, supostamente direcionados a ‘planejar e viabilizar’ programas e ações nesse âmbito social. E porque estamos todos bem conscientes dos pífios e pouco significativos resultados práticos alcançados; a realidade nacional a este respeito aí está: igual ou mais grave do que quando a meritória Lei foi criada.

Crianças desassistidas, prostituídas, violentadas e a desfilarem o seu triste cotidiano nos faróis de trânsito. Ora alugadas como pedintes, ora a se exibirem como malabaristas de ocasião ou vendedores improvisados. Todos a ostentarem suas constrangedoras condições diante dos impávidos motoristas em seus reluzentes carrões; vidros fechados, olhar de medo, complacência, velada pena ou indiferença, apenas isto.

Percebe-se que a consciência de dever cívico nessas ocasiões parece não tem direito a carona, fica para trás quando os 'condutores' aceleram em direção ao futuro. Mas, é imprescindível perguntar: que futuro, se o futuro é feito por pessoas? Sim, é o futuro de todos nós, do nosso país que é construído por essa estranha romaria de pequeninos diante de impassíveis olhares.

Segundo a Associação Nacional de Magistrados existem atualmente no Brasil mais de oitenta mil (80.000) crianças à disposição para adoção. E, apresso-me em dizer que, não adianta teimar em institucionalizar a criança e o adolescente; principalmente em instituições precárias, desprovidas de investimentos e, até, sucateadas.

Chegam novas eleições e repete-se o discurso demagógico. Entre eles o de que “lugar de criança é na escola”; e, isto é uma meia-verdade. Lugar de criança é na família. É a família quem deve preparar a criança e o adolescente em sua formação para a vida, a escola é só um complemento em sua formação, a base está no lar, repito, na família de cada criança.

E não adianta fugir da realidade. O Brasil só precisa dessa “Lei tão avançada” porque os países desenvolvidos não precisam dessa lei; porque já a praticam há muito tempo. Quer dizer que já põem em prática com seriedade as normas que dizem respeito à proteção integral da criança e do adolescente. Colheram os frutos de um rigoroso cumprimento dessas normas e por isto mesmo são países de primeiro (1°) mundo.

Também neste caso não adianta se omitir e colocar a culpa nos outros. A culpa pelo que aí está e pelo de pior que se prenuncia é igualmente da família, da sociedade e do governo. Conclamo, pois, a todos - na maioridade do ECA - a assumirem suas cotas de responsabilidades e a tomarem posições firmes e efetivas pelo cumprimento desse Estatuto. Só assim estaremos, todos, atendendo às necessidades de cidadania das nossas crianças e adolescentes; e, a partir deles, construindo um futuro e uma realidade que atenda aos nossos mais legítimos e justos anseios.


União dos Palmares - AL, 14 de julho de 2008.

O Anatomista do Abstrato

Por George W B Cavalcati


Não obstante envolva atores de diferentes reinos,
Instigante paralelo emerge de uma poética reflexão,
Sobre a similaridade existencial da pedra e do homem;
Uma vez que são massas geométricas mercê do espaço,
Ganham em ajustes e, nuances escoam do inexorável tempo.

Tanto na forma quanto em conteúdo parecem imutáveis,
Quando ainda isenta de uma ação abrasiva a coexistência,
Em sua densa estrutura, como a de qualquer outro elemento;
Quase sempre ostentam agudas arestas e até afiados gumes,
Enquanto perdura-lhe seu muito relativo, fugaz e finito isolamento.

Porque toda matéria em estado sólido, líquido ou gasoso,
Mesmo nós, seres pensantes, quiçá em mistura inteligente,
Eventualmente achamos nossa contrapartida nesse universo;
Havendo que atritar-se, em mútuo polir para o melhor coexistir,
Senão por encaixe, como esfera justaposta e em menor desgaste.

Alguns creditam isso ao acaso e outros à determinada instância,
Ocorrer o fator atrito, tão contrário quanto é necessário a harmonia,
Ora a ensejar diálogos, colóquios de saliências com as reentrâncias:
Ora coroado por clímax e sempre atenuando as incontáveis diferenças,
Tão comuns nas superfícies das pedras quanto é no interior dos homens.

Eis o lúdico exercício de prazer que ao atento deleita na rude labuta,
Quando o intelecto, qual bisturi, disseca a tudo com precisão cirúrgica,
Revelando as entranhas existenciais ao poeta, um anatomista do abstrato;
Agraciado de um insuspeito poder que torna a alma a seu dom embevecida,
Ocorre-lhe assim o seu renovo de ânimo e de forças, em meio à sutil permuta.


União dos Palmares - AL, 09 de julho de 2008.

ELEVA o 'azulzinho' nacional

Por George W B Cavalcanti


Outro dia eu escutava a uma rádio daquelas que tocam falácias e notícias quando, o locutor de plantão – e, provavelmente de meia idade também – em um tom euforicamente comprometedor noticiou: “Lançado o Viagra brasileiro e já tem nome: Eleva!” Com todo o respeito que tenho pela andrologia arriscaria dizer que: foi daquelas notícias científicas merecedoras de que ponhamos “os dentes no quarador” num reflexo condicionado maroto e incontrolável.

Mas, como o tal locutor subitamente mudou de assunto, eu não pude evitar a seqüencia de pensamentos que me ‘voaram’ na cabeça, mesmo que eu lutasse bravamente para que, nela, não fizessem ninho. Houve uma hilária revoada deles em minha a mente; iguais a laranjas que fogem de saco rompido em meio à feira-livre: não dá prá segurar o conteúdo que se esparrama inevitavelmente. Catei daqui e dacolá aquelas esvoaçantes ilações, numa desesperada e vã tentativa de lograr um respeitoso recolhimento.

Porém, por uns intermináveis minutos, os irreverentes ícones configuraram uma burlesca metáfora. e o pomposo comunicado se transformou no seguinte: “O Eleva será a versão nacional de um conhecido comprimido azul para disfunção erétil masculina a ser lançado no mercado pela indústria farmacêutica nacional nos próximos dias e, ao que tudo indica o produto já sinaliza no sentido de superar na bolsa o etanol e biodiesel juntos em termos de economia de divisas para o país. Existiriam inclusive rumores de ameaça de guerra fiscal entre estados da federação por implantação de fábricas. Fontes confiáveis informam que os laboratórios farmacêuticos estaduais se apressam em registrar de similares com muito bairrismo e marcas culturais típicas. E, em primeira mão, informamos nossos ouvintes de alguns nomes de fantasia apurados por nossa produção para elevatório comprimido regionalizado e sendo, respectivamente: o amazonense ‘Guaranagra’, o paraense ‘Viaçagra’, o cearense ‘Artezanagra’, o pernambucano ‘Freviagra’, o alagoano 'Sururagra', o baiano ‘Vatapagra’; o paulista, ‘Ipiragra’; o mineiro, ‘Tutuagra’; o carioca, ‘Feijoagra’ e, o gaúcho, ‘Chimarragra’. Enfim, todas as torcidas serão atendidas!”...

Bem, o meu azulado desvario já estava de ‘bom tamanho’ mas, me pareceu ainda escutar: “comenta-se ainda que o planalto, numa espertíssima manobra política, cogita marcar um tento federal com a criação da ERETOBRAS. Um portentoso órgão estatal, com elevados investimentos e que, se dedicará à produção em larga escala de um genérico para um novo programa denominado – nome ainda provisório – de 'Bolsa Varonil', com o lema: nunca tantos ficaram "a mil" - e, é tida como certa a elevação na popularidade do governo".

Àquelas alturas os meus pensamentos moleques já totalmente indultados formaram um ‘bonde chamado desejo’, fizeram um ‘arrastão’ geral na ‘minha praia’ e fugiram em desabalada carreira levando o que restava do meu pudico sorriso. Confesso que dei uma gostosa – mentalmente, prá não me comprometer... – gargalhada; mas, o negócio é sério!...


União dos Palmares - AL, 09 de julho de 2008.

Tempo Eterno

Por George W B Cavalcanti


É um tempo no qual nós, humanos,
Já sabemos distinguir verso e anverso;
E, maduros o suficiente para respeitar-nos,
No todo, o que faz parte do mesmo universo.

A fraternidade no Eterno concede-nos a Luz,
Para enxergarmos no reverso o claro retorno;
Conduzimos a estrela do sonho, não uma cruz,
Linhas que se cruzam e não traçam o contorno.

É tempo no qual, cientes, já pensamos,
O bom uso, a ciência, o saber que nos foi dado;
E, a semente do humano que, então, semeamos,
Na revelação de um brilho de há muito guardado.

Hoje, plantamos em outros orbes lindas flores,
Que, do ventre da Terra, desabrocham no infinito;
Viajamos no cosmos espalhando o bem, afeto e cores.

Nosso sábio existir então é hierárquico, justo, estético e bonito,
Superado o fútil desperdício, o útil faz cessar a sofrimentos e dores;
Toda a energia do amor nos faz jardineiros da vida, como está escrito.


União dos Palmares - AL, 08 de julho de 2008.

Do pântano ao Planalto

Por George W B Cavalcanti


À luz da verdade e do bom senso quando o assunto é o ‘óbvio- ululante’ nesse país, erudição e senso comum parecem convergir naturalmente e o consenso torna-se ponto pacífico. E, daí por diante conclui-se que, o caráter endêmico nacional consubstancia-se na figura do eterno profissional e militante da “reinvenção da roda”. O qual, por essas plagas parece ter adquirido o status de patrimônio nacional e único “moto-perpétuo” de que se tem notícia.

Ele raciocina e age como se fora um compulsivo do questionamento renitente e improdutivo; não importando se é iletrado ou letrado. Em geral tem uma personalidade curiosa, folclórica e faz uma "zoada" danada, tanto em rodas populares quanto em centros de pesquisas ou avançados colóquios. Porque simplesmente busca roubar a cena para si a qualquer custo – custo para os outros, óbvio! - Esse ‘tipo’, digamos, microcéfalo e ruminante de pensamentos é, em termos de prática, um ser inepto e sócio-patológico.

Porque portador de uma espécie de alergia congênita à lógica objetiva que – em linguagem popular - preconiza: “o negócio não é a problemática e sim a solucionática”. A deles é outra, é o tal do: “não vim aqui para resolver e sim prá confundir” – e invariavelmente para faturar, também!... Até porque esse tipo tão comum entre nós, só vê um futuro: o do chão em que pisa. Resulta do “tônus” desta mentalidade em nosso meio o que aí está; para o espanto, insegurança, medo, pavor, banalização e infelicidade geral da nação - aqui e alhures. Esse é um nosso pior vício cultural, o de criar dificuldades para vender facilidades; e que, a despeito de códigos, instituições, sistema econômico e dos ganhos científicos que auferimos, é o nosso “calcanhar de Aquiles” - um ‘impávido colosso’ lastimavelmente incorrigível.

Essa “práxis” é conduzida e disseminada com estranha competência e liberdade pela nossa vasta casta de bípedes portadores de virtuais viseiras; autênticos metafóricos burros de carroça - cientes ou não - a serviço de interesses alienígenas esdrúxulos. Até porque no âmbito das relações internacionais não se tem amigos e sim parceiros. Na arena econômica ‘tupiniquim’, tanto quanto na global, o mais “amigo” está sempre puxando brasas para o seu próprio grande braseiro com suas gordas sardinhas e muitos buchos e bolsos para nutrir. E, com toda certeza não será um ‘tal’ poço Tupi, Tapuia ou coisa que o valha que irá livra-nos do desgaste de debater-nos até a exaustão nesse nosso pântano – de ausência ética e moral – que parece espraia-se a alcançar o horizonte.

Esse pânico massivo em tempo real aí está e, já não o suportamos mais. Vemo-nos afundar sob o peso da responsabilidade para com as novas tecnologias e suas aplicabilidades globalizadas. Parece-me que estamos envolvidos por um discurso caduco, roto, cínico e repetitivo – do ‘piqueteiro’ ao togado –; e, ao qual a mídia ‘safa’ prece aderir e não critica, apenas repete: “isso é assim mesmo, é a nossa ‘cultura’ e não tem jeito; é uma guerra sem fim!...“ Ao que ouso replicar: se é guerra... Então – metaforicamente, que fique bem claro -, em cada cidadão um soldado! Na verdade, isso aí assim está porque não sabemos o que é guerra de verdade. E, pobres dos que na realidade já o aprenderam...



União dos Palmares AL, 08 de julho de 2008.

Rádios de Israel - escolha a estação

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