Saudação

Olá! Este é um espaço de escrita criativa com um toque de humor, e expressão da minha vontade de me aproximar do poder revelador das palavras. Testemunho do meu envolvimento com a palavra com arte, e um jeito de dar vida à cultura que armazeno. Esta página é acessível (no modelo básico) também por dispositivo móvel. Esteja à vontade.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

As Lagoas de Lágrimas

(A Espada de Dâmocles. Pintura de Richard Westall, 1812 )


Por George W de B Cavalcanti*


Há lagoas tantas à mingua,
Porque não tem lagoa azul,
Há lagoas tontas de mágoa;
Luta tanta sofrida, no anzol.

Há incidência de morticínio,
Há a morbidez de gemidos,
Na impunidade de políticos;
No emprego do 'pistolicídio'.

Respeito largado à margem,
Num deserto de sentimento,
Razão tão louca é miragem;
Clama por justiça a contento.

Até pode fazer, e acontecer,
Dizer que assim não presto,
Na minha esperança antiga;
Ver a apreensão, do arresto.

Lagoas cobertas de sombras,
A mãe chorar o filho tombado,
E, a sociedade ferida, adoece;
Pelo motivo torpe, banalizado.

A matéria-prima é o sistema,
De rotina malsã e sem lógica,
O gigante é todo desrespeito;
E a fatura não é nada módica.

Aja, antes que a justiça aborte,
O filho seu que não foge a luta,
Ao nexo sem razão ou suporte;
Embala o berço e não o ataúde.

Resgatar a história obliterada,
Genocídio disfarçado a miúde,
Cidadania faz tornar agastado;
Vasto vício torpe de oligarquia.

Pende em fio de rabo de cavalo,
Defenestra destino dessa gente,
Na impunidade para o abastado;
O apocalipse político emergente.

É sabedoria louca para o divino,
Gente na qual o crime não toca.
É geração de emprego e renda;
E alma sebosa em rica maloca.

Arrasa a paz que resta na terra,
Esse acinte assim interminável,
Da toga, e político engravatado;
Poder aético é todo lamentável.

Massa mantida a não dar conta,
Em torpor, e a vagar sem noção,
Em delírio patético feliz imagina;
Como lhe falta um dedo na mão.

Dom Quixote à guisa de moinho,
Estranho o típico exótico evento,
A manha, no meio do torvelinho;
Extraterrestre no espaço-tempo.

Pungente é o lamento espiritual,
Da viúva que mora do meu lado,
Desesperada, pelo filho perdido;
Comoção solidária do indignado.

Irmanada à dor é a fé imbatível,
Vida nascer da espera mesma,
Anula essa maldade inatingível;
O governo em passo de lesma.

Há lagoas, de consciência clama,
Chora seu molusco contaminado,
Desse atraso ajuntado em penca;
De dura casca, e na lama atolado.


Lagoa da Anta
(Localizada dentro de Maceió - Alagoas, na Praia de Jatiúca)



domingo, 14 de agosto de 2011

Meu Pai, Em Ti Me Vejo


Por George W de B Cavalcanti*


Meu pai assim em ti eu me vejo,
Quando, calendário é referência,
Para comemoração tão especial,
A singela data aos pais dedicada;
Eu sou o rastro da tua existência.

Vejo-me em teu amor pela ética,
O coração a pulsar solidariedade,
No teu apurado senso de estética,
Aos carentes o gesto de caridade;
Fraternidade, a exemplar vivência.

Que bom que é te sentir comigo,
Sermos plenos na eterna criança,
Ganhar o teu abraço forte, amigo,
Saudade guardada na lembrança;
A reunir histórias e perseverança.

Quando eu fui inocência e pureza,
Na noite, silente velaste meu sono,
De dia, renovar paternal paciência,
Ao me edificar para o tempo longo;
Construir o portão para a fortaleza.

Acontece em cada ano que passa,
Aumentar ainda mais esse desejo:
A tua face contemplar sem pressa,
Conservar essa tão grata memória;
Contrita lágrima de amor sem pejo.

Nossa diferença é plena semelhança,
Tu és sopro e eu som do meu realejo,
Somos melodia que no tempo avança,
Filha e neta, o renascer da esperança;
Perpetuar dizer: meu pai em ti me vejo.



sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Resposta de um tio em tempos de crise


Por George W de B Cavalcanti*


Rio de Janeiro/ RJ - Brasil, 5 de agosto de 2011.


Meu querido sobrinho, número um, saudações pato-lógicas.

A consulta que me fez via Internet, em sua recente mensagem em rede social, é da maior seriedade. O que, confesso, me pegou de surpresa e me deixou fulo da vida e, a gritar parlapatices socando o ar com o meus olhos bem arregalados. Mas, por alguns momentos apenas, como de costume.

Porque logo agora, quando estou passando férias (e, tendo uma folga de vocês) na Cidade Maravilhosa. E, enquanto me divirto aprendendo a dançar o samba, fico uma arara só de lembrar o sucesso internacional desses exibidos psitacídeos. Com seus bicos curvos (imagino sejam judeus também) e melhor pronúncia nesse sucesso de público e de crítica; Rio.

Mas, você sabe que eu só fico assim porque gosto das coisas bem certinhas para o nosso lado, e a Margarida não quis vir comigo quando disse que nos hospedaríamos em uma pousada que fica em uma favela pacificada daqui. Expliquei que, finalmente a hotelaria está subindo o morro onde, o ar puro e a vista linda tornam o local ideal para hotéis e resorts; mas ela bateu a pata irredutível. Justo quando o morro está ficando chique e gostoso.

Agora, essa estória de que o Mikey foi despejado e pediu para vir morar aqui, na casa do Zé Carioca, é mentira; acredite, é coisa do Tio Patinhas. Vocês já estão vendo a agitação que ele novamente está provocando nas Bolsas de Valores mundo afora. Como sempre comprando na baixa para vender na alta, e, a abarrotar ainda mais aquela velha e rachada caixa-forte. E, tome a se gabar naquele patinglês incompreensível dele; um saco.

Não ligue se daqui uns seis anos, no máximo, ele volte a tomar seus costumeiros e irritantes banhos de dólares a gozar com a nossa cara; é típico, não tem jeito. Em compensação, vocês terão mais tempo para aprender melhor o português brasileiro e poderão vir comigo assistir a Copa do Mundo ou, no máximo as Olimpíadas. Saibam que devem a estes eventos a instalação por aqui (demorou) das providenciais UPP, que mostraram ser uma grande aliança para o progresso.

Huguinho, todo mundo sabe o zelo que tenho por meus inteligentes e travessos sobrinhos. Portanto, não seria bobo de aconselhar vocês a se mudarem para cá, ainda; até porque continua a chover balas perdidas no entorno – mais ou menos como a nossa neve. Tem mais, não sei se eles por aqui vão aprender com o tio Patinhas; pão-duro, mas, rico. Que, é melhor ser investidor na Bolsa do que enriquecer rápido como auditor larápio em Receita Federal brasileira – a mídia local não perdoa.

O mais incrível é que, em que pese este Plano Real que consertou o casco e tornou navegável o barco econômico brasileiro, eles continuam a roubar a eles mesmos e a tentar fazer novos rombos em seu bote de pesca; vai que afunda de novo. O resultado é que, se vocês se derem mal com a feijoada eu não me arrisco a levar vocês a um posto de saúde daqui; e, os planos complementares são cheios de pegadinhas e pouco confiáveis, também.

No mais, me deem uma folga e me deixem curtir as patozudas daqui que são uma salada de frutas completa. Tem patozuda de todos os sabores e para todos os gostos: as de sabor melão, as melancias e, até as que querem se passar por morango. Tem também umas que ainda não estão maduras, bem verdinhas ainda na verdade e que são oferecidas tranquilamente. Mas, essas eu não curto como outros conterrâneos nossos, deixo para vocês, que são menores, as curtirem quando estiverem por aqui (elas são mesmo umas patofinhas).

Enfim, chega de pato, quero dizer, de papo. Até porque cheguei de Brasília ontem um tanto estressado porque está uma TPM patológica por lá. Tem umas patas no Planalto com tons vermelhos; à beira de um ataque de nervos. E, eu, de tanto tomar sol com a patota de Ipanema já estou mais bronzeado do que sino de igreja. Assim, seguindo o noticiário local, vou para a tal serra gaúcha de Santa Catarina; dizem que está caindo neve por lá. Quero nadar em vinho e chocolate, esquecer um pouco a Margarida e, afogar a minha dor-de-cotovelo por lá em umas plumas branquinhas.

Abraços e beijos espalhapatosos para todos, especialmente para os nossos e à família Disney. E, não esqueçam, acreditem e sigam firmes rapazes, digo, sobrinhos; yes, we can. And, asta la vista babies!

Do seu velho tio... Novinho em folha,

Donald Fauntleroy Duck


(
Quack!........................................................=#%&$@)

quarta-feira, 27 de julho de 2011

A marcha-parada e o complexo de escravo


Por George W B Cavalcanti*


Realmente, tudo está a indicar que, depois da substituição do civismo pelo 'lulismo' algo se perdeu entre os cidadãos que trabalham, estudam e pagam impostos escorchantes neste país - a indignação cívica. E, aí está o recente relatório da maior investigação - finalmente - já realizada pelo Tribunal de Contas da União sobre o sistema de compras do governo federal.

Os auditores encontraram mais de 80 000 indícios de irregularidades que foram catalogadas em sete modalidades principais de fraude. E, encaminharam todo o substrato da lama oficial para o Ministério Público e, este - 'em linha de passe' - a tocar de primeira para o Congresso Nacional; para a devida apreciação e providências. Vamos ver se agora sai um 'gol de placa' da probidade, porque de pênalti estamos em baixa, também.

É realmente espantosa e estarrecedora a treva sobre o futuro desta nação e sua sofrida gente, ante a capacidade de inovação no mundo oficial brasileiro quando o objetivo é desviar dinheiro público. Enquanto se come frango e se arrota peru, a sobremesa é a costumeira fanfarronice sobre votações limpas e periódicas; e, 'o suco que acompanha o prato' é a expressão e acesso à Justiça. Para que, a galinha de macumba da corrupção institucionalizada desça suave, na goela larga do nosso iletrado povão.

Reitero que, urge que a indignação cívica ressurja neste país. E, mais do que isso que, com todos caras-pintada de verde e amarelo, ganhe as ruas com força total. Do tamanho ou maior da que logrou apagar, em tempo hábil, os exóticos tons 'colloridos' do comando danação, digo, da nação. Mas, parece que a velha renitência do personalismo, ao invés de republicanismo e democracia, volta a nos incomodar como um calo "olho de peixe" debaixo dos nossos pés. O país caminha economicamente, mas, coxeia feio ética e moralmente.

Até parece que essa estória de "lulismo em lugar de civismo" funciona mais ou menos como o efeito de comprimido de êxtase tomado em festa 'have' - no caso, mais evidente na periferia. A propaganda oficial é o som eletrônico que embala a galera aquecida pelo consumismo com se fora o efeito da dita droga sintética. O ritmo se intensifica, sua-se e bebe-se muito; os gestos são descoordenados, o papo para lá de vazio e desconexo -, enquanto o organismo (social) esvai-se até, mesmo, entrar em choque e/ou falência.

Agora reflita honestamente, faz Sentido? 'Parada por Jesus' com milhões na avenida; 'Parada Gay', idem. 'Marcha das Vadias' leva centenas para a rua na Cidade Maravilhosa e, a 'Marcha Pela Descriminalização da Maconha' coloca outro tanto a 'zoar' na Esplanada dos Ministérios. Contudo, quase ninguém se vê nas avenidas e ruas deste país se mobilizando em parada ou marcha pela ética, contra a corrupção e a impunidade. Ou seja, 'Marcha Pela Ética, Contra a Corrupção e a Impunidade' é igual, ou quase - ainda - a ninguém na rua: ("tem muita coisa errada por aí...").

Inegável é que, os brasileiros mostram-se entorpecidos com as denúncias de corrupção; sem se aperceber que a lama, velozmente aspergida nestes tempos informáticos globalizados, sobra para toda a nação. Quando um bocado desse cocô político e institucional cai na cara de cada um de nós e, fica a escorrer da face corpo abaixo. E, tal inépcia na higiene moral vai entranhando em nós o respectivo 'aroma' característico. Resultando, como recorrentemente acontece quando detectado ainda em aeroportos do exterior, em sumária, urgente e humilhante deportação de nossa gente - que vergonha!

Sim, porque o dito primeiro mundo sabe muito bem identificar o fedor dos que, para os quais, eu inauguro aqui a denominação de: 'Classe C-fullagadê' - sem educação e preparo tecnológico, mas, com TV full HD. Destes, eles só querem mesmo a matéria prima, a nossa mão-de-obra barata e seu mercadão abobalhado. Que consome tecnologia de segunda mão, com baixa qualidade (geralmente mediante contratos leoninos) por um preço extorsivo. Ao tempo em que, somos financeiramente 'esfolados vivos' pela nossa carga tributária e pelo perdulário custo brasileiro.

Diante dessa 'defecação pública no ventilador', confesso que também me ferve o sangue; mas, 'de cara limpa' e de indignação. E, como se diria na gíria em voga em nossa mídia: "á moleque" -, estás vivendo, nesse conflito do econômico com o ético, a contradição da "marcha-parada"! Então, vamos às avenidas e ruas em mobilização permanente; e, só assim obrigaremos a Justiça e os políticos a tomar medidas sumárias para limpar a administração pública dos ladrões, coloca-los na cadeia e lá mantê-los pelo tempo merecido.

Mas, não sem antes fazê-los devolver as quantias roubadas. Tudo o que, na tigela de barro da sem-vergonhice junta galinha velha da corrupção à farofa amarelada de saque do erário - com as velas pretas da impunidade. Acorda gente! Antes que tais "despachos" maculem irremediavelmente a honradez do homem e da mulher de bem brasileiros, e comprometa negativamente para sempre a nossa história.

Temos que reconhecer que vivenciamos um cenário de paroxismo no descompromisso com a moralidade no trato da coisa pública; vide o renitente foco de corrupção no DNIT - Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes. Já não bastasse o contumaz desrespeito de alguns setores empresariais para com o consumidor brasileiro; acintoso em planos de saúde, operadoras de telefonia, e de Internet - entre outros.

Assim, não há nacionalidade e de patriotismo que resista. Nisso incluso o nosso traço cultural definido pelo sociólogo Gilberto Freyre como Complexo de Escravo. Quando, o que, o como, o quanto e o porquê eram de responsabilidade do "dono e senhor"; residual, nas figuras do político e/ou governo - a induzir-nos, ainda, à passividade.

Enfim, a palavra de ordem - nesses tempos de populismo deslavado em plena era da tecnologia cibernética, pasmem - não pode ser outra senão: "á moleque", levanta, sacode a "urucubaca" e dá a volta por cima!



segunda-feira, 25 de julho de 2011

Romance Horizontal – saga de cabeceira


Por George W de B Cavalcanti*


O que acontece em espaços de humana interação tem lá os seus equívocos; faz parte,

Como em todo romance, só o tempo o valora, o consagra ou reconhece,

Uma relação decantada requer tempo, é assim que se constrói;

Muitas vezes atravessando épocas em sua história.


Mas, inegavelmente tem seu charme como todo personagem que preze a consagração,

Varia em sua forma e no figurino, mas, sempre com a causa e o efeito da arte,

Tantos são os cenários em que é colocado, em roteiro radical endurecido;

Esvaziado, emagrecido, plano e reto ao feitio de uma tábua.


Em dimensão maior ou mesmo pequeno, sua textura funde-se com o tecido próximo,

O que o envolve, o que se revolve ao redor ou o que com o social interage,

Desejado é vestido de novo pano e constantemente afagado e abraçado;

Tanto faz a amplidão do cenário, porque sempre o repouso emerge.


Séculos a fio quem sabe, seja no calor ou no frio, tamanho idílio se conte em milênio,

Porque é marcante e por sempre útil, acessível, prestativo e muito versátil,

Ora na cabeça ou aos pés, mas, muitas vezes no centro de uma arena;

É no entremear do cotidiano, quando vai construindo a sua glória.


Sabemos que no íntimo é plena satisfação quando à cabeça e coladinho face a face,

Em aconchego de corpos, a favorecer o conforto e o prazer em sigilosa folia,

Há em seu jeito certo querer ser, estar e permanecer algo confortável;

Massageando a têmpora e recolhendo a baba ou apoiando a nuca.


Quando em momentos serenos queda-se contemplativo como a dizer sussurrando,

Aproxima a amado e musa, porque o lema é seu convite ao usar que não abusa,

Até mesmo quando em batalha ousa não machucar, é suave, gentil e amável;

Nesse interminável afã é solo ou dueto afável que não se faz de rogado.


Bela essa estória assim recheada, é exótica porque alterna em ser sigilosa e notória,

Desfia-se a velar o sono, e em sua insônia embala os sonhos na guerra e na paz,

Tantos são os aspectos a envolver quase todos, a mim, a você e aos outros;

Quando oferece o ombro amigo, seja no chão, na rede ou na cama.


Seu silêncio eloquente é bom ouvinte no campo, na cidade ou em qualquer poltrona,

Permuta isonômica, fértil e útil na troca pródiga, e acessível ao rico e ao pobre,

Sua validade não se discute, na vinda da vida e também no leito de morte;

Assim, se mostra sempre útil como fermento do sábio, e adubo ao fútil.


Enfim, me cabe ir por aqui concluindo esse périplo na parceria, seja chorando ou sorrindo,

Enquanto o tempo conduz a condizente mensagem sempre a pernoitar em cada leito,

O romance de travesseiro agradou até ao Redentor, o mais sincero indo e vindo;

Ao queixar-se quando, o Filho do Homem, não tinha onde repousar a cabeça.



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