Saudação

Olá! Este é um espaço de escrita criativa com um toque de humor, e expressão da minha vontade de me aproximar do poder revelador das palavras. Testemunho do meu envolvimento com a palavra com arte, e um jeito de dar vida à cultura que armazeno. Esta página é acessível (no modelo básico) também por dispositivo móvel. Esteja à vontade.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

O Psicotrote - tiques e toques (humor)



Por George W de B Cavalcanti*


[Trim, trim, trimmmm!]...

- Ong Protoque às suas ordens!

- [pocotó, pocotó, pocotó]...

- Alô, (impaciente) é paciente conveniado?...
- Sim, quero dizer (nervosíssimo) não, senhora.

- Então o feenhô quor confulta porticolór (mastigando sanduíche de pernil)...
E,  fenhôora não (deglutindo), senhorita, por favor!

- Tá bem!... [pocotó, pocotó, pocotó]...
- Alô! Senhor isso é um trote, senhor?

- Não! Sim [confuso], quer dizer...
- Quer dizer o que, senhor?

- Que, que não é trote telefônico; não (ansioso), não é!
- Como assim, senhor?

- Assim, senhorita; é o trote, ou melhor, é o trotar dos meus dedos, senhorita.
- O que? O senhor está brincando? Olha que somos uma ong séria! E, eu...

- Eu sei, eu sei (ofegante), não desligue; eu também sou do ramo, quer dizer...
- Senhor, do ramo de ong, senhor?

- Não (falando baixinho), também sou da área da saúde...
- Senhor, eu não estou lhe ouvindo bem, mas se é assim... (falado para o lado: olha, ou é trote ou é mal de alzheimer)...
Senhor, se, é assim, porque o senhor não...

- Não procuro ajuda de um colega? Nem pensar! Seria muito (sussurrando), constrangedor...
- Como? Mas senhor...

- Eu explico, explico... É que... Estou com problema no exame de toque retal...
- No senhor, senhor? Em sua idade é normal, senhor (rindo baixinho e para o lado), é de rotina...

- Eu sei, eu sei! Mas, o problema não é comigo e sim com; pelo menos alguns, pacientes meus...
(Quase inaudível) Eu sou: urologista, e estou vendo a hora de ser processado por assédio sexual!

- Mas doutor, isso nunca aconteceu à urologista nenhum; não que eu me lembre...
 - Esse é o problema... [pocotó, pocotó, pocotó)...
 - Alô! O doutor está bem, senhor?

- Então, está ouvindo o barulho dos meus dedos repetitivos em minha mesa de trabalho e que eu não consigo controlar?... 
E, só param de batucar depois que eu conto até cem, ou mais!
- Ah! Então é isso?...
É coisa repulsiva; quero dizer, compulsiva mesmo doutor!

- Por isso vocês tem que me livrar desse problema de TOC; é um Transtorno Obsessivo-Compulsivo digital, importante...
Quando estou examinando a próstata dos meus pacientes os meus dedos ficam assim repetitivos, parecem ganhar vida própria; e, logo da mão do procedimento...
Me ajuda ai, vai!... 
Diga aos colegas psiquiatras aí que é urgente, entende, não é?

- Mas senhor, há um engano!...
- Que engano? Não há tempo a perder, senhorita; arranje-me um horário, vai...

- É que, a Protoque, não dá apoio ao portador de TOC, com t-o-c; e sim ao do toque com, q-u-e, senhor...
Como eu disse, somos também da mesma área, mas, de apoio ao paciente da Urologia, mas não da Psiquiatria, doutor! 

- [pocotó, pocotó, pocotó]...

- Alô, doutor...

- [tú, tú, tú, túuuuuuuuuu!]...

[em off ]
- Desligou; caraca!... 
Nesses anos todos em que trabalho aqui, é a primeira vez que recebo um chamado de caso de; 'psicotique de proctoque'...
Eu heim!...
Aff!...
Que dia!... [e, colega, assume um pouco aqui que eu vou fazer xixi].


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