Saudação

Olá! Este é um espaço de escrita criativa com um toque de humor, e expressão da minha vontade de me aproximar do poder revelador das palavras. Testemunho do meu envolvimento com a palavra com arte, e um jeito de dar vida à cultura que armazeno. Esta página é acessível (no modelo básico) também por dispositivo móvel. Esteja à vontade.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

No que estou "torando um aço" - 2011/2012


Por George W de B Cavalcanti*


Por oportuno, constata-se que o contingente de criminosos brasileiros de arma na mão, tanto quanto as turbas predatórias de torcedores de times de futebol e a maioria da população carcerária, têm no máximo escolaridade de segundo grau e são oriundos do campo e das periferias. Majoritário seguimento que, na minha condição de cidadão e educador, sou instado a classifica-lo como analfafuncional. Uma vez alfabetizado, age como se analfabeto absoluto fosse.

Está a dizimar-se no atacado e, no varejo, aos que meritoriamente alcançaram conhecimento técnico e científico, competências e habilidades. À minoria que, pelo preparo intelectual e elevada qualificação profissional tem remuneração condigna e adita honestamente condição econômica, financeira e patrimonial ao país. Mas, que se encontra ao desamparo frente às hordas de drogado-zumbi-assaltante, ao crime organizado e às milícias mafiosas de todos os coturnos.

Esvai-se em sangue e lágrimas a elite altamente produtiva e básica para um Brasil desenvolvido. Que sai de casa como refém para retornar como vítima de furto, roubo, latrocínio, sequestro e crime de mando. Em um cenário que equivale à uma real guerra civil de saque homicida. Cujo nefando e nefasto saldo é a cotidiana perda de preciosas vidas, incluindo as altamente qualificadas e produtivas, em maior número que nas guerras mundo afora. 

O senso comum não atina se essa guerra fratricida serve à uma eventual radical redução populacional planetária. Mas, enfim, tome tento o neocomunista carreirista de plantão e o abutre engravatado e togado em suas torres de marfim e redomas de vidro. Porque do jeito que a coisa vai por aqui, pela lei de mercado as próxima vítimas serão vocês . Boas - se escapar do saque - Festas e Feliz - se sobreviver - 2012!... 



(Ilustrações - fonte: Google Imagens) 

domingo, 18 de dezembro de 2011

Canção verde


Por George W de B Cavalcanti*


A vegetal pele planetária ora resiste e avança
para ensejar ser o simples mortal pai e mãe,
a rogar por nós e nos fazer cruzar ao portal
no momento só seu e suspenso no tempo,
no colo do amor sem espada nem lança,
alheia à contenda do bem com o mal;
mas, a dizer do seu direito de amar
ou reservar o seu lugar no mundo,
e na agenda dessa gente tonta
anotar o sistema moribundo.

Estou vendo a cor se desvanecer no cinza
mas, me aconchego mais nessa clorofila
que sob o sol transforma a luz em vida,
e faz renascer no verde da esperança
em cada criança que no berço chora;
o original cenário assim é oprimido
e tudo o quanto a natureza perde
pela mão insana do tosco voraz,
nessa orgia de tanto consumo
bestial e que a todos devora.

Não por presunção ou a querer ficar de fora  
nesse clamor por um senso mais aguçado,
no aprender com tal projeção do universo
nessa tela que estende pelo firmamento,
e por isto até seja o poeta condenado;
pela reflexão que expressa em verso
ao sentir todo o invisível aos olhos,
o essencial que tantos não vêem
e ser o escravo mais alforriado,
no lírico, pela era consagrado.

Me achego a ela para escutar a natureza
que faz brotar nessa esperança querida
pela dança fértil de óvulo com gametas,
nossa mãe generosa bela e imperfeita
tão imersa em sua líquida esmeralda;
quanto coberta pelo extenso manto
da noite em intenso azul marinho
estampado com tantas estrelas,
e sobre a nossa casa comum
cantar a canção da inteireza.



domingo, 4 de dezembro de 2011

Nove estrofes contra a violência

Por George W de B Cavalcanti*


Para quem possui grau
e conhece bem a história
deste país ainda em berço,
não é dada outras alternativas
senão aprender com a memória
e assumir a soberana necessidade
de nos erigir e até recompor a nação;
caro preço de refazer as nossas bases
para um caminhar firme de honra e glória.

Este poema é assim
com esta forma exótica,
escorregadio e deslizante,
é correndo atrás dos vadios
e omissos à responsabilidade,
que com discursos ocos e vazios
de irrespnosáveis e patéticos tiranos
nos marcam com a vil marca da besta;
de trono, séquito e manto de impunidade.

Bem sei que é denso
incômodo e até extenso
o clamor deste compatriota,
que se reserva o líquido e certo
direito democrático do livre pensar
e construtivamente viver no expressar
da consciência proba que ainda germina;
a despeito de continuar a ser tido e havido
qual uma mera cabeça a mais nesse rebanho.

O tempo pede profeta
que exorte em larga escala,
nos resgate logo moral e ética
e que possamos provar ao mundo
o poder que há em ser assim eclético;
este povo que, longe de ser o moribundo
como a fênix sabe renascer de suas cinzas,
ainda que o país de uma extremidade a outra
tenha o sangue escorrendo dos buracos de bala.

Ah! Exigimos piedade,
piedade Senhor piedade,
para a nossa gente profícua
se ver enfim livre e protegida
da histórica e iníqua oligarquia
de idiotas presunçosos e cínicos,
que nos contamina mais a cada dia
com o seu germe e perfídia genocida;
são o tipo de ameba, de calça e camisa.

É assim, aqui e agora,
em cada verso escorrendo
que alço a minha madura voz
a ares e mares em nove versos,
a maldizer esse horror contumaz;
que nos cobre de medo e incerteza
quanto à integridade e o direito à vida
dos nossos filhos ante contexto adverso;
violento cardápio onde morte é sobremesa.

Alerta turba e horda,
já esta na hora de saber
o que não te permitem ver:
que te induzem a ser torcida
de vazias fantasias e bobagens
enquanto a nação é só miragem
de um oásis de direito e de justiça;
no deserto em que morrem sedentos
e tanta gente sã vira carcaça e carniça.

Tem coça à cambada
pela consciência alerta,
que aqui estraga a festa
dos que agem qual abutre,
que nem por solo nem mãe
atende à rouca voz e à razão,
e por sua morbidez e presunção
segue a saquear essa pátria gentil;
a purgar, para ser uma grande nação.

Vamos à estrofe nova
que assim deixamos aqui
e que não é oito e nem dez,
apenas que se preste a servir
a vez da voz que a mim se junta
na corrente política que se renova,
e diz basta a corrupção e a matança;
por isso é poema que move e comove
e você tira, enfim, a dita prova das nove.






PS: A título de ilustração:  NO QUE ESTOU PENSANDO: Qual é o problema do Brasil? Qual é o problema do Brasil? (vide http://www.sangari.com/mapadaviolencia/ ) Ora, (e reza forte!...) o país "bregou"! É tomado e comandado pelos "analfafuncionais"; uma geração de iletrados que só acredita no direito da força [e da corrupção] e não na força do direito. E, qual a solução? Então, muito óbvia: mudar o povo brasileiro por meio de educação e conhecimento, lógico! ~ (em 16/12/2011
(**Ilustrações - fonte: Google Imagens)

Veja o vídeo a seguir - por favor, assista-o com atenção.
(antes de tocar o vídeo desligue outro áudio que estiver escutando)

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Borboleta de papel



Por George W de B Cavalcanti*


Do papel sai a adejar em segundos
sem contudo causar a tempestades,
nem repercutir lá em outros mundos,
esses meus escritos não concluídos;
poéticos, leves e também animados
levam sentimento a voar pelo mundo.

É a metamorfose em pensar efusivo
aqui colocando em todos seus lados,
insuspeita parceria no branco da cal
das alvas paredes dessa casa antiga;
típica estética adquirida em crisálida,
a buscar pousada nessa gente amiga.

Por analogia, os tenho assemelhado
às elegantes formas de papilionoidea,
umas com aparência monocromática,
ou mais ousadamente multicoloridas,
fazem o silencioso aplaudir com asas;
tão característico código e linguagem
é uma troca de mensagem com a vida.

Tela viva que afirma sua arte original
em prisma que decompõe a fonética
nas cores de um pensar contido nela,
a imprimir nas almas o que mais tem
e aguardar beleza em gestos ou sinal,
do coração na composição mais bela;
que resulta sempre da firme permissão
de afirmar a beleza que o bem contém.

Toda palavra poética é um ente alado
que surge na gestão do próprio casulo,
e alheio aos que ruminam outro plano
poliniza amores para além dos muros;
segue assim feliz e recolhe a néctares,
volta no colo do vento a cruzar mares,
traz toda benesse e a luz aos escuros.

Vai poema a sublimar as minhas dores,
mas, leva uma boa percepção da vida,
um canto que desperte lume e arrebol,
o nascer do sol que aquece o novo dia;
pousa a borboleta em outros corações,
coloca graciosamente a plenos vigores;
poesia que nasce das fibras do meu eu
pela parceria diáfana assim esvoaçante,
como a querer beijar todo o azul do céu.




domingo, 27 de novembro de 2011

Brilho gotejante



Por George W de B Cavalcanti*


Como é triste tal anonimato;
ah meu Deus, como é chato!
Não ficar em cima do muro,
mas, buscar clarear com luz,
e, ainda assim, fica no escuro.

Tal qual a grama do vizinho
tratada com um seco pasto.
Andorinha deixada de lado
só para não fazer um verão.
Por ser qual a prata da casa
ver o seu ouro ser soterrado,
ignorado qual desconhecido;
até por quem mora ao lado.

O turbilhão de verso e de rima
a achar eco além do horizonte,
quando há percurso assoreado;
por um primário senso comum
que paga a tal bem com o mal;
se o sucesso é assim chegado.

Um diamante líquido é incerto
se por ofensa pessoal tomado;
em colocar a luz em seu verso.
E, trazer com rima o ritmo novo
que muda as nuances do povo
e faz romper o capim do brejo;
nesse gotejar pelo sol banhado.






quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Vou-me embora pra Brasília – com licença Bandeira


Por George W de B Cavalcanti*


Vou-me embora pra Brasília
Lá eu vou ter voz e vez
Lá tenho o lobby que quero
Com a turma que formei

Vou-me embora pra Brasília
Vou-me embora pra Brasília
Aqui me chamam de infeliz
Lá há salamaleques e mesuras
De tamoios inconsequentes
Que Joana a mãe da barganha
De um xodó grandiloquente
Vem a ser representante
Da hora de quem lá vive

E tome notícia bombástica
Que darei à massa quieta
Consultarei meu alfarrábio
Meterei o pau sem medo
Entornarei pinga com caviar!
E andando bem estribado
Deixo a lancha lá no lago
Mamo e lavo toda a mágoa
Para apagar da memória
Que no vento vai de fininho
Rota que não se vai achar
Vou-me embora pra Brasília

Em Brasília não me iludo
É usar a carnavalização
Trem bom em cima do muro
De impelir contravenção
Sem efeito eletrostático
Tem debiloide invocado
Tem corruptas infinitas
Para a mesa do jantar

E o contrabando lá não existe
Nem o clone mais perfeito
Quando afoito eu estiver
No estrangeiro vou passear
– Lá sou bacana, quase rei –
Torrarei caixa dois sem remédio
Tanta grana que nem sei
Vou-me embora pra Brasília

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Recomeços (a minha filha, gestante)



Por George W de B Cavalcati*


Querida, o amor é compromisso
e os filhos são um só sentimento
de responsabilidade permanente;
e, um vínculo próprio e inalienável,
sem idade, sem prazo de validade;
a continuidade é eterno recomeço.

Filhos não são produto perecível,
não para o coração dos seus pais,
que mantém viva a grande chama
de sentimento assim sempre terno,
desde a pequena morte no clímax;
no prazer da vida em ressurreição.

Por escopo nem motivo qualquer
não se transfere vísceras próprias
ou renega assim a qualquer tempo
de si mesmo perna, braço ou mão
gerados no milagre da concepção,
adicionados ao seu próprio tronco.

E filha é palavra ainda mais bonita,
é candura e a emoção indescritível,
semente, solo, flor para novo fruto
que matura em apropriada estação;
é pérola única de acetinado brilho,
no mar amniótico de sua gestação.

Me vejo em ti, no teu modo de ser
nas tantas coisas que de mim tu és
a caminhar por senda tão parecida,
que a verdade fiel a faz reconhecer;
tempo comum da benção merecida
em que serás a minha cabeça e pés.

Geração e vida em tuas entranhas,
faz do viver um nunca mais desistir
do poema vivo sempre mais bonito
vivido para ser, madura, minha mãe,
quando eu já não mais me pertencer;
ter teu cuidar e viver rumo ao infinito.




domingo, 23 de outubro de 2011

Ab-negado




 Por George W de B Cavalcanti*


Quando um poeta morre,
quem se importa?
Quem anuncia o seu nome
ao vento e ao tempo?
Quem se importa?

Quando um poeta morre,
quem se importa?
Quem acode as rimas
ou consola os versos?
Quem se importa?

Quando um poeta morre,
quem se dá conta
que cessou uma brisa
que renova a vida?
Quem se importa?

Quando um poeta morre,
quem anuncia a perda
ao professor, ao aluno
ou ao vizinho de porta?
Quem se importa?

Quando um poeta morre,
quem socorre o mundo
de perder um abnegado
que o torna mais humano?
Quem se importa?

Quando um poeta morre,
alguém tem a resposta ou,
quem sabe o silencio seja
o que justifica a pergunta?
Quem se importa?

Quando um poeta morre,
cala o pássaro, chora a flor
e uma criança pergunta;
por que? Pergunta o amor:
Quem se importa?




terça-feira, 18 de outubro de 2011

Nossa torturante Tortuga

Holandês Voador, o lendário navio-fantasma holandês "que vagará pelos mares até o fim dos tempos".


Por George W de B Cavalcanti*


Tortuga (palavra da língua espanhola para tartaruga) ou Isla Tortuga é uma ilha no mar do Caribe, onde os piratas tinham inúmeros esconderijos e vendiam os tesouros apresados, gastavam a sua parte no álcool e lutavam, entre outras atividades características desse estilo de vida. Entre os esconderijos/paraísos piratas contam-se a ilha de Tortuga, Port Royal (Jamaica) e Madagáscar. Situa-se na América Central no Norte de Hispaníola, com três ligações para a costa.  

Tem o nome de Tortuga (tartaruga) porque tem a forma de uma (quando vista de Hispaníola parece uma tartaruga monstruosa). Mas, conta-nos a história que, a ilha de Tortuga fora repleta de pilhagens e mergulhada em sangue, onde a violência era constante. Esta ilha tinha regras para as rixas, pirataria e pilhagens. Motivo pelo qual fora inserida no roteiro dos longa metragens Piratas do Caribe: O Baú da Morte e Piratas do Caribe: No Fim do Mundo - e, ligando-a ao mistério do fantasmagórico navio-pirata "Holandês Voador".

Reza a lenda, que remonta ao século XVII, da embarcação-fantasma Holandês Voador que, capitão do navio se chamava Bernard Fokke; e, em certa ocasião teria insistido, a despeito dos protestos de sua tripulação, em atravessar o conhecido Estreito de Magalhães. Fokke conduziu seu navio pelo estreito, com suas funestas consequências, das quais ele teria escapado, ao que parece, fazendo um pacto com o diabo, em uma aposta em um jogo de dados que o capitão venceu, utilizando dados viciados.

Desde então, o navio e seu capitão teriam sido amaldiçoados, condenados a navegar perpetuamente e causando o naufrágio de outras embarcações que porventura o avistassem. Diz que o seu capitão, cujo é almodiçoado, tem que vagar pelos mares atacando navios e os sobreviventes do navio atacado são colocados a sua frente e logo transformados em escravos.

Acontece que, as cumulativas exigências dos magnatas do futebol profissional - daqui e de além-mar - para a realização da Copa do Mundo de 2014 aqui no Brasil, mais parecem abordagem de corsário sem pátria. E, estão a impregnar a esse episódio político-futebolístico de semelhança ao lendário enredo da mencionada série cinematográfica. Portanto, vejamos isto ponto a ponto e o que na realidade está a significar para todo o povo brasileiro:
  • A FIFA quer a suspensão do CDC (Código de Defesa do Consumidor) e do Estatuto do Idoso. Ou seja, a entidade futebolística internacional, como um feroz e cruel pirata, nos pede - mais do que isto, nos impõe - a revogação de dois instrumentos de proteção ao consumidor que nunca, em circunstância alguma, foram revogados ou suspensos; nem temporariamente. Em outras palavras, a FIFA requer a supressão de direitos fundamentais garantidos àqueles segmentos da sociedade, juridicamente considerados fática, econômica, jurídica e socialmente desfavorecidos. 
  • A FIFA quer que seja permitida a comercialização de bebidas alcoólicas nos estádios. Tudo na contramão das diretrizes e princípios que informam a garantia do equilíbrio social visado com a prevenção, precaução e repressão de condutas consideradas, pelo direito, como danosas à sociedade. O que equivale a cuspir na cara dos juristas, legisladores e dos segmentos sociais. Enfim, de todos que trabalharam durante anos, se debruçando com afinco na confecção desses estatutos garantidores de direitos e, absurdamente, na Constituição Federal de 1988. 
  • Nossa Constituição Federal traz, no artigo 170, e incisos, os princípios informadores da ordem econômica, sendo que a defesa do consumidor é um daqueles princípios a serem observados para que o exercício da atividade econômica transcorra em respeito aos demais interesses superlativos no texto constitucional. E, esse estado ou estádio de coisas será o mesmo que cuspir nos milhares de consumidores, idosos, estudantes; isto é, sujeitos cujos direitos são tutelados por leis específicas porquanto sua condição social reclama aquelas tutelas. 
  • Permitir que a FIFA imponha ao Brasil as regras que mais bem lhe atendam é, mais do que afrontar as disposições constitucionais e do microssistema consumerista, afrontar os seguintes fundamentos da República Federativa do Brasil: a soberania, a cidadania e a dignidade da pessoa humana (artigo 1º, incisos I, II e II, da CF). Porque, quando o consumidor exerce seus direitos, está exercendo sua cidadania. Atender às reivindicações da nominada entidade é permitir que um ente não soberano intervenha na nossa soberania.
  • A independência nacional da República Federativa do Brasil é princípio reitor de suas relações internacionais (artigo 4º, I, da CF). Se, a ordem jurídica é um dos instrumentos a garantir essa independência em relação a Estados estrangeiros, o que se dirá em relação a uma mera entidade que regula o futebol? Todos esses estatutos garantidores de direitos, em última análise, foram forjados de modo a assegurar a dignidade da pessoa humana. Normas jurídicas servem para isso. As leis servem ao homem, e não o contrário. 
  • Entendemos que, sobremaneira é injustificável tentar afastar conquistas sociais hoje estampadas em legislações fortes, com vocação constitucional, em nome de interesses particulares. Porque o legado que essa Copa do Mundo deixará, ao que nos parece, em pouco ou nada será positivo. Na medida em que, por uns míseros "trinta dinheiros", se cogita vender o que nos resta do nossos - cada dia mais escassos - patrimônio ético e reserva moral nacional. 

Pelo rumo que o barco está tomando, abriremos precedente para outras entidades poderosas e essa aberração - que seria “a Copa da iniciativa privada” - se tornará apenas mais uma “piada de Copa do Mundo”. Então, convenhamos que, guardadas as devidas distâncias essas histórias tem semelhanças nauseantemente evidentes. Pelos tesouros de nossas paragens - de botim dócil e farto - facilmente acessível aos corsários contemporâneos. O governo brasileiro e a nossa CBF estão à milhas náuticas de distância de apresentar a combatividade digna de um, digamos, "Pérola Negra".

Também é evidente que, por aqui a horda da torcida transtornada é capaz de matar. Porque sua existência é marcada pela violência institucional perpetrada pelo Estado, que não lhe garante os direitos mais básicos para viver dignamente; mas, lhe garante pão e circo - e, também, álcool. Parece-nos que, faturar é o que importa; faça-se o indivíduo esquecer sua condição indigna garantindo-lhe o acesso aos jogos de futebol, mesmo com os ingressos mais baratos chegando a custar quase 10% do salário mínimo. E, com pragmatismo bestial, maximizem-se os lucros na Copa do Mundo; enfim, será bom para a economia!

Caso o governo federal concorde com as imposições mercantilistas da FIFA, os "donos da bola" farão o Brasil se quedar de joelhos diante dos mesmos. E, nessa grande encenação, que mais parece ficção a se desenrolar diante do nosso estarrecido olhar, pasmos assistimos ao ataque de um novo capitão Fokke com a sua assombrada nau. Que, por aqui se apresentam para tomar de assalto a uma "mera indefesa ilha"; já infestada de piratas desde antes do século XVII. E que, em pleno século XXI ao que tudo indica continuará - me permitam o trocadilho -, torturantemente, a ser uma espécie de "Tortuga".




(Ilustrações - fonte: Google Imagens)

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

A ronda de um espectro - gênio e elefante

Steven Jobs

Por George W de B Cavalcanti*


Quando se consegue um acumulo pessoal de conhecimento densamente variado, é quando se pode dizer que se é detentor de um conhecimento geral. E, é nesse nível intelectual básico que se inclui os saberes sobre os demais animais; e, os elefantes se sobressaem. Não só pelo grande tamanho, mas, por demonstrarem sentir a proximidade do fim de seu tempo existencial individual e, então, buscar um específico lugar adequado para o seu termino. Assim, por silogismo, não fica difícil de estender esta possibilidade e capacidade a outras espécies; aos vegetais e, até mesmo, ao mineral.

Até porque todos de uma forma ou de outra estão estruturalmente mutuamente presentes e, mais que isto, inerentes; a realidade é sistêmica. Portanto, temos que admitir que essa não é uma prerrogativa exclusivamente de nós humanos. Há um lugar para cada coisa e cada coisa, ao menos ao final, deve estar em seu lugar; e, fugir a isso é favorecer o caos e derrocada existencial em determinada dimensão. Porque em essência e consequência não há um termo absoluto, e sim relativo; axiomaticamente: há uma transformação.

Em torno disso o animismo forjou o espectro da figura com a longa foice, que colhe e finaliza a existência das criaturas; e, a rondar a vida em seu momento mais extremo e seu ponto de mutação mais radical. Mas, nas palavras de Steven Paul Jobs (São Francisco, Califórnia, 24 de fevereiro de 1955 — Palo Alto, Califórnia, 5 de outubro de 2011) somente: "um momento de dar oportunidade e lugar para o novo, para a renovação". Sim, para a renovação e inovação de ideias, de criação e de estruturação de novas possibilidades.

Porém, a aproximação desse espectro geralmente não representa um estado ou condição de felicidade e de alegria; e, no máximo com dignidade: de resignação. Seja no tempo, seja no espaço em que ocorre essa, digamos "convivência", nunca é fácil -; assim como não o é entre os gênios e as pessoas comuns. Até porque, enquanto uns estão atentos e mentalmente excitados por cada lampejo de conhecimento e a antegozar saltos de qualidade na realização da vida, os outros continuam a dormir diante da realidade.

Genialidade e morte igualmente nos rondam -; esta última à vida de todas as criaturas e a primeira aos medíocres e/ou concorrentes. É que lhes bate uma insegurança e um medo tremendo ante essas elaborações personificadas; ainda - e por muito tempo mais - igualmente transformadoras e polêmicas. A primeira para o bem e aperfeiçoamento, e a última, para o quê? Há quem garanta que, para os bons há sempre disponível um túnel de luz e para os outros: nem "luz no fim do túnel".

O certo é que, os elefantes se encaminham para um lugar afastado da manada - geralmente um mesmo local do bioma - para dar o seu derradeiro suspiro. E, os gênios tem o costume poderoso de, por alguns momentos, fazer entreabrir os olhos da sociedade; para tentar despertar o contingente da humanidade adormecida na desinformação, no desconhecimento e na alienação.

A minha posição nessa história é que, embora a essa altura da vida eu já tenha acumulado algum conhecimento e relativo domínio da informática, longe estou de ser um gênio. Mas, bem que gostaria de, como o Jobs, dar a minha parcela de contribuição incluindo extraordinário legado de renovação tecnológica e empresarial -; e, principalmente, com tão exemplar diálogo com o espectro.

Também sei que, guardadas as devidas proporções, por aqui também incomodo a muitos que "dormem". Aos quantos a minha vigília do conhecimento e busca da verdade os assombra; como pesadelo em seu sono existencial. E ainda que, na condição precária em que sobrevivo, ao menos - como um elefante -, eu gostaria de escolher descansar dessa lida em um outro espaço; e, em um outro tempo.


(Ilustrações - fonte: Google Imagens)

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Quando o carteiro não chegou


Por George W de B Cavalcanti*


Recreio dos Caramujos - PZ, 06 de outubro de 2011.

Rosidalva "minha querida, saudações; escrevo esta carta, mas não repare os senões"...  
Senão, chegar a tempo de informar a vocês tudo de importante e urgente que está se passando por aqui; dessas coisas que só a carta pode repetir a informação e sem qualquer despesa a mais. Senão, chegar a tempo o numerário que segue junto, para quitar a dívida da família. Senão, puder ajudar a pagar a cirurgia de urgência de que me falaram. Senão, terminar a tempo essa greve dos CORREIOS que está deixando todos aqui na maior aflição.

Isto porque, nesse interior abandonado pelos políticos e pelo governo em que vocês vivem; para o que não há outra explicação - principalmente nos dias de hoje - senão o manter todos aí na indigência de comunicação que, também, encabresta o voto de vocês. Onde a telefonia celular não pega e o computador não tem acesso a Internet e nós sabemos que a correspondência é o único meio mais adequado à nossa comunicação e apoio a todos aí da nossa família.

Olha! Nós aqui não entendemos é o seguinte: se o sindicato que mantém a greve é da CUT que é do PT que é o partido da Ministra que é do partido da Presidenta; como é que eles não se entendem? E, se é o voto de toda essa gente dos CORREIOS que, assim, ajuda a eleger os políticos do petê; e numa hora dessa a gente não os vê dar um "pio" em favor desses trabalhadores que mantém o partido deles - como é que tem lógica? Você não acha que isso é uma coisa sem pé nem cabeça?

A coisa das correspondências e remessas pelos CORREIOS estava tão boazinha no tempo do professor FHC - apesar da força contra que os petistas então faziam - que a gente chegava até nos orgulhar dessa empresa do governo. Mas do governo Lula para cá a situação desse serviço virou mesmo de ponta-cabeça cada vez mais e parece até que não tem mais conserto. Eu chego a acreditar que, como no caso das rodovias, eles deveriam permitir que o particular pudesse criar empresas nesse setor também.

Também um professor da escola em que trabalho me contou que, em países desenvolvidos se o sujeito parar esses serviços, que também param o país, termina é "esfriando os miolos" com uma temporada na cadeia, mesmo. E, eu acho que é certo, porque esse setor não é como os de vender mobília, roupa ou farinha na feira, mas, de manter todo o país em movimento em todos os outros setores; até mesmo colocando em risco de morte pessoas inocentes como é o caso da nossa parenta aí que está para ser operada.

A nossa turma aqui das merendeiras do turno da manhã também concordou comigo, no que esse pessoal todo dos CORREIOS tem sofrido barbaridade nos últimos oito anos, principalmente os carteiros. São os ataques, não somente mais dos de cachorros, mas de bandidos a cada dia mais; não bastasse o problema de câncer de pele que aparece muito neles. E até escutei na rádio que, em nosso estado, os carteiros já tinham sido assaltados no primeiro semestre deste ano mais vezes do que em todo o ano passado.

As noticias dizem que o pessoal que assalta os carteiros já é bem variado e que vai em grosso e no varejo, até o simples viciado para comprar drogas. E, quando não é carga maior, todos atacam para roubar cartão de crédito que é enviado para os clientes dos bancos e das financeiras. Acontece que a gente não vê nem banco, nem operadora de cartão e nem governo defendendo os carteiros. Mas, só acho que esse pessoal deveria fazer piquete era na porta dos políticos que eles mesmos elegem e fazê-los os defender.

Quer dizer que, os políticos que são eleitos pelo voto dos funcionários sindicalizados ficam por aí, no "bem-bom". E os coitados dos carteiros sendo afastados do trabalho cada dia mais por problema nos nervos; depressão mental mesmo. Tem um que é vizinho nosso que, de tanto sofrer com sobrecarga de volume trabalho e com a violência dos assaltos, ficou meio "pancada" da cabeça. Foi interno, passou até uns tempos parado se tratando; mas, era só colocar aquela mochila de carta nas costas que ele sentia pânico.

A coisa parece que está ficando cada vez mais feia para o lado daqueles que, o partido que está no poder foi eleito com o voto dos mesmos; ou seja, do nosso, do trabalhador, do cidadão comum e do popular. E, ao que tudo indica esse pessoal petista traiu mesmo a gente; cospem no prato em que comeram - tanto no do trabalhador como no da imprensa que antes eles tanto defendiam, para a liberdade de expressão democrática do pensamento e da informação total a respeito dos acontecimentos e atividades de governo.

Atualmente sabemos que o nosso país, proporcionalmente à população, já é onde mais se mata gente no mundo, e o que vemos é que as causas, o que está na raiz dessa violência toda nem de longe é abordada. Então, como esses governantes querem que a casa não desabe sem que desçam do próprio telhado? E, ainda saem por ai contando vantagem de emprestar dinheiro a Europa, enquanto nós aqui continuamos penando nas mais diversas carências e deficiências. Acho que isso é não ter projeto de governo e sim de poder.

Bem querida, por ora vou parando por aqui 'que Deus do céu nos ajuda'. Eu sei que dificulta um pouco vocês me compreenderem o que digo, mas, que fazer se é daqui que alimento os meus e arranjo um pouco para mandar pelos CORREIOS para vocês ai de vez em quando. Mas, pelo andar da carruagem parece que os únicos envelopes certos para o 'povão' receber são mesmo os de madeira. "Isola!"

Até a próxima quando, espero, a correspondência esteja normal. Até porque, "quando o carteiro não chegou e nem o meu nome gritou com as cartas na mão; ah, que surpresa tão rude, não sei como pude chegar ao portão".

Desse seu parente e amigo certo,

Régis Trado da Silva


segunda-feira, 3 de outubro de 2011

O jardim das vassouras - cena e cenário


As 594 vassouras - uma para cada parlamentar - simbolizam grito 
contra a corrupção no jardim da Esplanada dos Ministérios.


Por George W de B Cavalcanti*


A nossa presidente (/a?), discursou na ONU, que legal! Saiu-se até muito bem, não fora a teimosia em alinhar-se demagogicamente quanto à política exterior - e, nenhuma palavra sobre mulheres (como a saudita de Jeddah, Shaima Jastaina, 30) condenada pelos "companheiros das arábias" a levar dez chibatadas por desafiar a proibição do reino contra a direção feminina. Sendo que, a nossa mandatária no âmbito doméstico, alguns dias antes havia comandado pessoalmente ações políticas no sentido de barrar a realização de uma "CPI da Corrupção" para investigar a fundo irregularidades - que não param de recrudescer -  no Ministério dos Transportes.

Vale salientar que, em matéria de faxina doméstica o povo sabe muito bem a sua importância fundamental e que é uma questão de educação sanitária; politicamente, imprescindível ao país. E, que eu lembre-me, o primeiro mandatário geral do nosso país, a propor a vassoura como símbolo e ênfase de governo foi ex-presidente - de simplória memória - Jânio da Silva Quadros. Eleito porque o povo, a grande massa, o verdadeiro cidadão, a consciência lúcida nacional; queria - como agora clama - faxina política na administração pública.

Evidente que, o cidadão comum brasileiro em sua luta cotidiana pela dignidade e cidadania parece alcançar muito mais lucidez quanto aos rumos do país do que os abastados quadros da política partidária. Estas últimas, pessoas às vezes antes sensatas e comprometidas com as prioridades coletivas e que, ao sentar em uma cadeira do parlamento brasileiro se transformam ou se transtornam. Como naqueles macaquinhos da ilustração da omissão; ficam cegos, surdos e mudos diante do descalabro e do saque aos cofres públicos.

No passado Jânio - digo o povo -, ganhou a eleição, mas, não levou o mandato porque - no dizer do próprio - "forças ocultas" o 'renunciaram'; e, pior, o golpearam. Resultou em uma ditadura militar - com o meu respeito à caserna -, com todos os característicos vícios e mazelas que retardam o amadurecimento democrático de uma nação. Até porque ante a república e a democracia qualquer regime de exceção é perfeitamente evitável quando, com seriedade, é tratada na raiz do problema; o mal de base: a corrupção.

Esse mal é historicamente personificado e coletivizado; e, leva o indivíduo e/ou corporações ao paroxismo do cinismo e da inconsequência - seja pela via partidária, sindical ou de organização não governamental. Mas, em condição aguda, invariavelmente desemboca na formação de quadrilha ou bando de "colarinho branco" que, com toda maldade retira e toma de alguém alguma coisa. E, em política isto se chama injustiça social, má distribuição de renda e descumprimento dos deveres do Estado.

A contaminação é fácil e assume característica endêmica em países cuja educação formal "engatinha" e o domínio do conhecimento - em quantidade e qualidade - é um privilégio de uma elite apaniguada. E, por aqui ainda tem gente que imagina poder conviver com essa praga moral à base do tal "jeitinho brasileiro". Mas, que "jeitinho" que nada, aí estão os diversos setores estatais sucateados, a fraude nos programas sociais, na conservação do meio-ambiente, na infraestrutura e logística nacional.

Porque justiça social - não somente distribuição de renda - é diretamente proporcional ao aperfeiçoamento da administração do país na gestão da coisa pública; aplicação de perícia, competência, eficiência e eficácia. É o priorizar continuamente o planejamento no atendimento às futuras demandas do país, na busca constante de elevar a qualidade de vida democraticamente. E, sobretudo, deve impedir o morticínio de populares ora dizimados pela bandidagem; cujo braço livre e audaz vitimiza fácil até à ilibada magistratura.

Em sã consciência não se ousa achar que esta condição ou processo é coisa da latinidade, que faria parte do nosso folclore; em nossa visão romântica, determinista, fatalista e conformista. Até porque a indignação cívica, que se encontrava em estado de letargia desde o governo Lula, dá sinais de vida - e leva milhares de brasileiros às ruas para protestar contra a corrupção. Quando, após os avanços que emanaram dos governos Itamar Franco e de Fernando Henrique Cardoso, temos a certeza de que, por aqui, nós podemos.

Mas, falta mais; aliás, falta muito mais. Falta agregar e mobilizar continuamente - independentemente do time de cada um - as torcidas organizadas neste mutirão moral e ético. Pelo ajustamento de conduta nacional amplo geral e irrestrito; pelo bem do povo e pela felicidade geral da nação. Há que se convocar os jovens torcedores não para perseguir torcedor de time adversário, mas, para cassar o voto dos corruptos que sabotam os horizontes dos torcedores de todas as cores e credos.

Vamos plantar jardins de vassouras vede e amarela, para que a corrupção seja varrida hoje e sempre, até desaparecer da face desta nação. E, haja consolidação da responsabilidade social individual, partidária, organizacional e empresarial pela extinção da impunidade -, quando firmaremos posição como povo verdadeiramente desenvolvido. Ou, continuar “de bobeira” em percurso sobre rombos e roubos, e valas comum de impunidade - a nos retardar, senão impedir, manter o rumo ao bom êxito.

Pessoalmente acredito que essa danação toda que infelicita principalmente - e sempre - aos menos aquinhoados, seja mesmo uma patologia comportamental cujos estragos estão sempre à olhos vistas. Uma doença espiritual [intelectual e / ou mental, à escolha] do ser humano, cuja compulsão se caracteriza em buscar a sua própria felicidade em detrimento do próximo - como se isto fosse compensador - em suas causas primeiras e fins últimos.

Quando, a verdade irrefutável, axiomática, é que: em essência e consequência, a felicidade isoladamente não existe.  Como já o versejou Vinícius de Morais, o nosso querido poetinha, "fundamental é mesmo o amor; é impossível ser feliz sozinho". E, na vivência política como nos demais aspectos da vida não há que se envergonhar do amor, e sim de o compreender em sua forma aplicável mais ampla e coletiva; mais  retornável a cada um e, portanto, a todos.

Refiro-me aqui ao amor ágape (em grego "αγάπη", transliterado para o latim "agape"), o qual, como o dom da vida, é independente e soberano. Então, como negar a si e aos outros algo tão vital? Como se é capaz de imaginar que ao promover o mal ou seja, tirar algo do outro - porque é nisto que o mal se resume -, é possível garantir uma sociceade civilizada e a felicidade de seus descendentes? 

É por estas e outras que urge banirmos essa corrupção que, em tudo incapacita o nosso organismo social e nos adoece de morte -; até mesmo a um "gigante pela própria natureza".




(fotos ilustrativas - fonte: Google Imagens)

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Dançando com fibras



Por George W de B Cavalcanti*


I

Em coreografia vem novamente 
o grupo fantasiado com fibras, 
com máscaras, caras pintadas
adereços e roupas trançadas,
sobrepondo com propósito 
a singela grandeza do passado.

II

Carregam consigo o desalinho
do traje em nebuloso caminho,
e seguem a exibir seus mistérios
a dançar com um vigor renovado,
na aldeia antiga e ameaçada
a construção étnica abandonada.

III 

Guardiões da ancestral memória
mantém a sua bela cena aberta,
aprendem com multicores pássaros
a compor com a natureza generosa,
a selva a exibir seu belo espetáculo
e arte encenada com rústica estética.

IV

Gente de tradição e códigos 
e a se divertir com sua mensagem
e, nada parece alterar o roteiro 
de tamanha irreverente seriedade,
nos adereços de palha e plumas
de cores em simbólico disfarce.

V

Parecem querer roubar o som 
com sua pequena e boa orquestra,
essa melodia elevada na voz grave
e na sua música centenária, 
enquanto o cortejo policromático 
em dança segue o seu passo.

VI

Para algum estranho ou outro 
em meio a personagens solidários, 
que parecem os respeitar sempre 
as palhas e penas desses avatares,
que trazem à razão suas premissas
e expõem seu desafio mais ousado.

VII

Raro povo a  provocar assombro 
e nostalgia sem fazer alarde, 
anônimo elemento em extinção 
com seus preciosos instrumentos,
missionários de sua própria memória
em folguedos com brilho e glória.

VIII

Na tarde quente da terra ribeirinha
o horizonte espera debruçado,
a melodia que na alma é minha
e dos músicos mais achegados, 
reunidos em derredor do fogo, 
as flautas, os guizos e os tambores.

IX
 
Vida e amor em alegria radiosa
no calor da antiga maloca,
e o tom da chuvada é contraponto 
ao suor de uma gente laboriosa, 
que nos empresta o seu som 
tanto tempo pelo vento espalhado.

X

Por um momento acreditei 
que estivera com eles agrupado, 
a navegar o rio do seu pensamento
sobre o que resta da grande floresta,
e compreendi a dimensão desse ícone
de valores que não quero abandonados.






quarta-feira, 21 de setembro de 2011

O noticiário brasileiro - terror sem limites


Por George W de B Cavalcanti*


Você tem toda razão, caro leitor ou leitora, quando se pergunta o que é que este cartaz - que representa a prova incontestável do recente retorno da censura ao nosso país - tem a ver com o título desta postagem. Mas, eu gostaria que prosseguisse nesta leitura no setido de, alcançarmos uma oportuna reflexão sobre a nossa realidade.

A produção cinematográfica mais polêmica do momento em todo o planeta: A Serbian Film - Terror Sem Limites, na noite desta terça-feira 13/09/2011, foi alvo de censura ampla, geral e irrestrita. Já que, a Justiça Federal de Belo Horizonte atendeu ao pedido feito pelo Ministério Público Federal em ação cautelar e concedeu uma liminar proibindo a exibição do longa sérvio em todo país.

Longe de mim fazer aqui juízo de valor e muito menos apologia ao conteúdo, argumento ou razões; objetivas e subjetivas dos envolvidos na elaboração, comercialização e divulgação da internacionalmente questionada obra da sétima arte sérvia. Até porque, em alguns países da Europa (Itália, Grécia e França), a veiculação do filme foi proibida e tem causado mal-estar onde conseguiu ser exibido.

Mas, me permito - e, agora venha comigo - traçarmos um instigante paralelo entre os argumentos da nossa justiça e o cenário nacional de criminalidade e impunidade que grassa neste país. É violência e sangue aos borbotões, de vítimas fatais a impregnar quase até os nossos cinco sentidos, com a cor da bandeira do partido ora no poder. De direito e não de facto segundo se evidencia, mas, responsável por toda essa danação; desassistência e insegurança social'.

Então, vamos aos argumentos colocados na peça legal dos nossos meritíssimos de eminente saber jurídico:
"O longa-metragem contém cenas que simulam a participação de recém-nascido em cena de sexo explícito ou pornográfica, além das que mostram sexo explícito, crueldade, elogio/banalização da violência, necrofilia, tortura, suicídio, mutilação, agressão no ambiente familiar". E, "Não recomendada para menores de 18 anos, por conter sexo, pedofilia, violência e crueldade".

Contudo, para melhor clareamento e fixação do raciocínio da nossa análise, vamos listar ponto a ponto os nefandos tópicos mencionados:
  • sexo
  • sexo explícito
  • crueldade
  • violência
  • elogio/banalização da violência
  • necrofilia
  • pedofilia
  • tortura
  • suicídio
  • mutilação
  • agressão no ambiente familiar
Agora a pergunta que não quer calar: Mas estas não são a cenas do cotidiano de barbarismo em nosso país, crescentemente havidas e diariamente reportadas - até por dever de ofício - pela mídia brasileira? Ou, como diria o conhecido repórter e comunicador de grande audiência: "Ou eu estou errado?" E, à lista doméstica, adite-se o descarte perverso e crescente de recém-nascidos e as execuções sumárias e aterradoras dos tribunais do crime à luz do dia.

Que saibam as sumidades e eminências pardas do socialismo caboclo que: a despeito de seus 'aloprados' agentes de aparelhamento político estatal, ainda subsiste, cresce e resiste a vida inteligente da cidadania deste país. E que, vemos a proliferação dos programas sensacionalistas sobre a 'cena-crime', a faturar alto em variadas mídias. Mais impactante na TV de reportagem policial; quando, o repórter e a câmera se fundem à guisa de "papagaio de pirata" nos ombros dos homens da lei.

Esta é uma inspirada - até porque, com o obséquio do chargista, a imagem vale mais do que mil palavras - ilustração de como se sente o cidadão telespectador brasileiro da atualidade diante do noticiário nacional televisivo. Mas, tamanho escárnio à segurança, à justiça e à cidadania não parece afetar às abastadas e tranquilas rotinas de vida das nossas autoridades. Até porque, a bandidagem é ensandecida e celerada, mas, não burra. Ela não etaca às residências e às familias dos poderosos. Uma vez que o mercado de trabalho para o criminoso continua mantido, garantido e crescente.

Assim, a propósito do cartaz do filme focalizado e que ora utilizamos como "gancho" nesta abordagem, relaciono algumas opiniões de internautas postadas em canais que divulgam na rede a vídeo-clip do censurado filme, como se segue:
- "Se não agrega para que perder tempo com filmes assim? - O problema é que não cabe a mim dizer que tipo de filme você pode ou não pode ver e nós não podemos impedir os outros de ler um livro, ver um filme ou seguir uma religião."
- "Quem é perverso não precisa desse filme e pode achar diversos outros muito mais violentos que não foram censurados..."
- "A banalização da violência torna as pessoas frias; ou seria o inverso? Ou seja, a frieza das pessoas é que torna a violencia banal?"
- "Mente doente se incentiva vendo até desenho amimado do Ursinho Puf..."
- "A pior negatividade, a pior violencia e a pior maldade agregada ao filme foi a censura!"
- "Já que me falaram tanto desse filme, vou acabar vendo."

Há luz no fim do túnel? 
A civilização cria uma venenosíssima víbora para se picar quando transforma o combate ao crime em grande indústria geradora de emprego e renda. Até porque, como aconteceu na Holanda, quando a criminalidade é combatida com convicção filosófica e atacada com seriedade em suas causas primeiras e fins últimos; "o espírito de porco", quer dizer; o espírito de corpo, faz o governo importar criminoso - no caso da Holanda, importado da Bélgica, segundo noticiou a imprensa internacional. Para que a turma dos "mocinhos" não ficasse desempregada e os demais beneficiários nos negócios da logística agregada não perdessem as suculentas "tetas" do erário.

E, quanto ao cidadão brasileiro?
É o comum pagador de impostos, taxas e contribuições que sustenta toda essa crescente máquina organizada de beneficiários diretos e indiretos do combate ao crime organizado. E, quando o lema é não levar muito a serio a religião e o seu 'Amar ao próximo como a ti mesmo'; o próximo é apenas a próxima vítima. Queira Deus não sejam as nossas futuras gerações, ao menos. Enfim, tire as suas conclusões e se posicione a este respeito. Porque a palavra de ordem é nossa, e  não aceitamos sair de casa como refém e retornar com vítima.



segunda-feira, 19 de setembro de 2011

O Psicotrote - tiques e toques (humor)



Por George W de B Cavalcanti*


[Trim, trim, trimmmm!]...

- Ong Protoque às suas ordens!

- [pocotó, pocotó, pocotó]...

- Alô, (impaciente) é paciente conveniado?...
- Sim, quero dizer (nervosíssimo) não, senhora.

- Então o feenhô quor confulta porticolór (mastigando sanduíche de pernil)...
E,  fenhôora não (deglutindo), senhorita, por favor!

- Tá bem!... [pocotó, pocotó, pocotó]...
- Alô! Senhor isso é um trote, senhor?

- Não! Sim [confuso], quer dizer...
- Quer dizer o que, senhor?

- Que, que não é trote telefônico; não (ansioso), não é!
- Como assim, senhor?

- Assim, senhorita; é o trote, ou melhor, é o trotar dos meus dedos, senhorita.
- O que? O senhor está brincando? Olha que somos uma ong séria! E, eu...

- Eu sei, eu sei (ofegante), não desligue; eu também sou do ramo, quer dizer...
- Senhor, do ramo de ong, senhor?

- Não (falando baixinho), também sou da área da saúde...
- Senhor, eu não estou lhe ouvindo bem, mas se é assim... (falado para o lado: olha, ou é trote ou é mal de alzheimer)...
Senhor, se, é assim, porque o senhor não...

- Não procuro ajuda de um colega? Nem pensar! Seria muito (sussurrando), constrangedor...
- Como? Mas senhor...

- Eu explico, explico... É que... Estou com problema no exame de toque retal...
- No senhor, senhor? Em sua idade é normal, senhor (rindo baixinho e para o lado), é de rotina...

- Eu sei, eu sei! Mas, o problema não é comigo e sim com; pelo menos alguns, pacientes meus...
(Quase inaudível) Eu sou: urologista, e estou vendo a hora de ser processado por assédio sexual!

- Mas doutor, isso nunca aconteceu à urologista nenhum; não que eu me lembre...
 - Esse é o problema... [pocotó, pocotó, pocotó)...
 - Alô! O doutor está bem, senhor?

- Então, está ouvindo o barulho dos meus dedos repetitivos em minha mesa de trabalho e que eu não consigo controlar?... 
E, só param de batucar depois que eu conto até cem, ou mais!
- Ah! Então é isso?...
É coisa repulsiva; quero dizer, compulsiva mesmo doutor!

- Por isso vocês tem que me livrar desse problema de TOC; é um Transtorno Obsessivo-Compulsivo digital, importante...
Quando estou examinando a próstata dos meus pacientes os meus dedos ficam assim repetitivos, parecem ganhar vida própria; e, logo da mão do procedimento...
Me ajuda ai, vai!... 
Diga aos colegas psiquiatras aí que é urgente, entende, não é?

- Mas senhor, há um engano!...
- Que engano? Não há tempo a perder, senhorita; arranje-me um horário, vai...

- É que, a Protoque, não dá apoio ao portador de TOC, com t-o-c; e sim ao do toque com, q-u-e, senhor...
Como eu disse, somos também da mesma área, mas, de apoio ao paciente da Urologia, mas não da Psiquiatria, doutor! 

- [pocotó, pocotó, pocotó]...

- Alô, doutor...

- [tú, tú, tú, túuuuuuuuuu!]...

[em off ]
- Desligou; caraca!... 
Nesses anos todos em que trabalho aqui, é a primeira vez que recebo um chamado de caso de; 'psicotique de proctoque'...
Eu heim!...
Aff!...
Que dia!... [e, colega, assume um pouco aqui que eu vou fazer xixi].


domingo, 11 de setembro de 2011

As torres gemem (acróstico, em português)



Por George W de B Cavalcati*


Sempre lembraremos esta data, jamais esqueceremos, 
Essa mancha de tristeza e dor para toda a humanidade, 
Tantos inocentes executados pelo extremismo violento; 
Em pranto e revolta, estamos com as famílias enlutadas. 
Milhares de vítimas, indefesos pais, mães; filhos órfãos, 
Bravo povo em suas torres de liberdade e de progresso, 
Renovado ânimo em nossas mentes e corações partidos; 
O encontro marcado inclui: justiça, o futuro e o passado. 

Ontem, perplexos paramos diante do monstruoso atentado, 
No dia em que se cobre de vergonha e luto a toda fé e amor, 
Zero é o marco de águas, de lágrimas, lutas, vigor e coragem;
Estados Unidos livres e em paz, é direito do seu povo honrado.



domingo, 4 de setembro de 2011

Meu bonsai literário



Por George W de B Cavalcanti*


Para justificar o título desta postagem, vou primeiro tangenciar a problemática existencial caraterística dos que tem o que se convencionou chamar de 'alma de artista'; na acepção original do termo. O que, por ser algo inato tem característica transcendente e, portanto, jamais é plenamente explicável. Até porque quase que totalmente incompreensível para os dela não dotados, enfocarei a respeito lampejos pertinentes que no momento me ocorrem.

Como acontece com toda história da vida e de consubstanciação da lenda pessoal dos assim identificados - algo que, via de regra, acontece após a morte -, diversos e insuspeitos fatores cronologicamente colaboram para a realização - nunca exaurida em seu mistério - da personificação dessa iridescente luz. Que, a uns encandeia, a outros embevece e a outro tanto incomoda; posto que a treva não afasta a luz, mas, o contrário é inevitável.

Entendo ser algo não presumido e isento de presunção, e um toque de genialidade que traduz claramente a presença do criador na criatura. Dotação singular ou plural no diferenciado portador de mesma, mas, sem dúvida, um fator geneticamente transmitido. Integrado e amadurecido pelo exercício do inerente dom na mútua relação que resulta na consolidação da lenda pessoal. A vida em ganho de significado pela inserção na história de páginas de beleza e encantamento.

A cultura na qual se nasce, cresce e desenvolve, o roteiro socioeconômico da família, os valores e o ambiente familiar, a quantidade e qualidade da educação formal recebida, a saúde pessoal e oportunidades de expressão do talento, estarão presentes e impressos na alma e na obra do artista. Nela, jamais descartando a atuação do imponderável, no que se inclui o nascer, viver e/ou permanecer em cidade pequena. Onde, com raras e honrosas exceções, se é menosprezado, ignorado e não raro reprimido; alvo da intolerância ao diferente e ao novo, típico dessas sociedades.

Tente esculpir em tal bloco contextual uma inovação emanada de especial percepção para ver o que te acontece -; terás que cinzelar o mais duro granito, acredite. Assim, quantos - em tendo diferenciado pendor criativo - não passaram pela desdita de conviver em rincão parado no espaço e no tempo; onde a biodiversidade pode até ser exuberante, mas, o espírito insurgente não é permitido. Tal conservadorismo - insegurança diante do questionamento - e reacionarismo à singeleza revolucionária do talento é a expressão mais corriqueira dos acomodados e, a arma política impiedosa habilmente manejada pelos mais poderosos do local.

Levam a vidinha ignóbil e pueril característica dos adoradores do "bezerro de ouro" e da "vaca sagrada". A amputar o espírito e a se colocar, pela supressão da empatia, em franco processo de psicopatia - segundo afirma a atual psiquiatria -; até que, sem carne ou leite algum, os consuma o profundo e escuro buraco do remorso. Traço de personalidade e resultado final comum, tanto à mente do humilde iletrado nativo quanto aos ditos "medalhões" dentre os déspotas locais mais esclarecidos. A resistência granítica à transformação e mudança igualmente os permeia; e, a sofrida alma do artista só terá pela frente horizonte de tormentas.

No que me diz respeito - se assim posso me incluir -, como quem luta para transformar o dom em ofício; escrever me gratifica interiormente sobremaneira. Embora eu já tenha escutado algumas vezes me dizerem, em tom jocoso, "o que é que você está ganhando com isso?" Quando então sinto dó da intelectualmente deserdada criatura, mas, principalmente, quanto ao seu aleijão emocional. Mas, persisto porque continuo a ser movido por convicção, ideal, sonho e esperança. O suficiente para escrever por pura realização íntima e deleite - e, até a presente data, sem ganhar nenhum dinheiro com isto. Contudo, para felicidade ou desgosto a depender do ponto de vista do caro leitor asseguro que, ao incursionar pelo campo das ideias a bordo das minhas palavras me percebo como que a trazer à luz nova vida. Bem entendido, os meus escritos; rebentos de gravidez pelo conhecimento acumulado -, da união que me faz "padecer num paraíso".

Não importa se não vejam a minha literatura como algo maior - a semente de mostarda é modelar -, ela vale principalmente a realização integral do seu semear. Tenho certeza que um dia será uma robusta muda e - um tempo mais - frondosa árvore com generosos frutos. Continuo também porque não quero a essa altura da vida outra profissão que não o transitar entre prosa e verso; e, seguir em frente com grafite e palpite. Também porque isto para mim tem efeito lúdico; cato as palavras sentindo o frisson de competidor em jogo de varetas: meticuloso calmamente até colher a última, por não haver tirado de lugar a nenhuma anterior. O que me garante o privilégio de degustar o doce sabor da vitória ao concluir cada texto que escrevo. Indo a forra dos abastados e presunçosos que de mim desdenham, mas, que não conseguem - por mais que o desejem - escrever algo significante.

Enfim, este dom que entendo possuir; figurativamente o cultivo qual à exótica e fascinante pequena árvore. Com a paciência e acuidade de um oriental que no fascinante afã, igualmente se beneficia do telúrico e do cósmico -; quando, em minha mente firma suas raízes e se expande em todas as direções. Mas, singularmente a suscitar os meus cuidados: com a sua troca de vaso, eficiente irrigação e adubamento; e, poda regulamentar dentro de uma visão estética de embelezamento. Dela me apraz cuidar cotidianamente porque está sempre acessível; em mim mesmo. E, meu coração é humos que nutre o meu bonsai literário, que requer como vaso apenas o espaço de uma cabeça. Assim, espero contar com a vossa nesse milagre; do cuidado, nessa forma de vida exiguamente acondicionada, mas, pulsante de um amor imensurável como o universo.


Rádios de Israel - escolha a estação

Antes de escolher uma rádio desligue outro áudio que estiver escutando.