Saudação

Olá! Este é um espaço de escrita criativa com um toque de humor, e expressão da minha vontade de me aproximar do poder revelador das palavras. Testemunho do meu envolvimento com a palavra com arte, e um jeito de dar vida à cultura que armazeno. Esta página é acessível (no modelo básico) também por dispositivo móvel. Esteja à vontade.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Corpo Oceano

Por George W B Cavalcanti


Mansamente deito-me atento ao seu lado,
Contemplando-lhe toda a extensão do corpo;
Quanto menos se move faz-se maior impacto,
O revezar dorsal e frontal sempre em decúbito;
Sinuoso mar afeito à nau do timoneiro motivado.

Geme mas é quase inaudível tamanho apelo,
Que se faz murmúrio marinho dentro do peito;
Ondas seqüenciais açoitam forte meu rochedo,
Quando emanam poderosas de sua plácida nudez;
Tela majestosa a me pedir moldura num macio leito.

Velado gozo na tormenta que sobrevém à calmaria,
Que nas profundezas prepara múltiplos gozos na vida;
Prenunciação sutil que há na pele do seu leitoso dorso,
Extensa e sedosa praia que me leva em êxtase às dunas;
Polivalente paisagem a oferecer deleite à criativa ousadia.

Convenientemente tudo gira em torno de seu umbigo,
Quando tento em vão encontrar a algo mais no horizonte;
Qual pomba em reconhecimento pairando sobre um dilúvio,
E, a mergulhar em vôo rasante em busca de um ramo florido;
Na superfície beijo-lhe pés, mãos e seus cabelos junto à fronte.

Todo embate em nosso abraço então se relativiza,
No preciso e imensurável deleite do eterno instante;
Um lavar de almas juntas imersas num mesmo oceano,
Quando deslizo as minhas mãos sobre a crista das ondas;
No corpo há maresia morna e na espuma sabor inebriante.


União dos Palmares - AL, 03 de dezembro de 2008.

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