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sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Usina, navio e cais

Por George W B Cavalcanti


Estas palavras não são porque eu seja cabo eleitoral ou político – não sou candidato a nenhum cargo eletivo – mas, as coloco a bem da verdade histórica e sociológica e, por um direito de cidadania e dever de ofício pedagógico. Isto posto, passemos, pois, ao que por oportuno e necessário deve ser abordadado, esclarecido e lembrado - como veremos a seguir.

Os significados das três palavras do título acima são respectivamente: Usina, s.f. Grade estabelecimento de fabricação industrial; fábrica em que o fogo é principal agente; usina de açúcar. (Do fr. usine.). Navio, s.f. Embarcação de grande porte, destinada a navegar no mar ou em grandes rios; ‘ficar a ver navios’: não obter o esperado, ficar logrado. (Do lat. navigiu.). Cais, s.f. Lugar, nos portos de mar ou de rio, onde atracam os navios e se faz a embarque ou desembarque de passageiros e mercadorias. (Do fr. quai.).

A ligação da primeira – usina – com as subseqüentes – navio e cais – dá-se, tanto no sentido concreto quanto no abstrato, senão vejamos: quando se observa a uma determinada distância o tanger do vento nos extensos canaviais, o efeito apresentado assemelha-se às ondas de um verdadeiro mar. Já a caldeira, o apito e as chaminés fazem parte dos navios a vapor que, durante muito tempo, transportaram a produção das usinas. E, cais; a estrutura de escoamento na exportação e, ancoradouro seguro das grandes fortunas, de alguns, produzida por este conjunto. Assim, essa arcaica atividade ao longo do tempo, para a massa trabalhadora, economicamente pouco ou nenhum beneficio tem aditado; e, para as populações das cidades no entorno, figurativamente tem representado isto: embarcarem em algo que é a um só tempo navio e cais. Ou seja, tentar navegar em algo que vai do nada para lugar nenhum. Portanto, aqui, quaisquer semelhanças não serão meras coincidências.

Como é do conhecimento geral nos meios mais desenvolvidos, a usina de açúcar é considerada a indústria mais atrasada que existe; uma vez que, desde os seus primórdios e nos dias atuais não agregam valor ao que produzem. Porque para seus donos e associados não é interessante agregar à usina alguma indústria de insumos ou de derivados; pois muito lhes abasta o que desde sempre e apenas produzem: açúcar e álcool – e, nada mais do que isto. Ao olhar mais atento, não são empreendedores no sentido de uma – mínima que seja – diversificação econômica que gere uma dinâmica de emprego e renda. Conforme pensam, lhes seria contrário promover desenvolvimento humano para as populações das terras e localidades das quais se beneficiam – e, compartilhar democraticamente o poder político para eles é impensável. Assim, nunca se ouviu falar em usina que ampliasse seu parque industrial – pelo álcool que produzem – com uma indústria de bebidas ou que – pelo açúcar que fabricam – houvesse instalado próximo uma fábrica de doces, por exemplo.

Estreitamente pragmática e acomodada – para dizer um mínimo – essa mentalidade feudal remanescente tem o típico pensamento travado no passado e uma visão caolha do futuro; que, para eles, consiste sempre no seguinte raciocínio: ocupar a maior extensão de terras possível e dispor da maior quantidade de mão-de-obra barata imaginável. Ou seja, como resultado são contrários a tudo que diga respeito à democratização e socialização da geração de emprego e renda – e, a baixa escolarização, a falta de cidadania e, um eleitorado eternamente carente 'indigente' é tipo de “praia” na qual nadam 'de braçadas'.

No pós-guerra da última grande guerra, para manter uma base militar estratégica nas Filipinas o governo norte-americano apoiou os feudos açucarareiros 'nada açucarados’ antes lá implantados pelos espanhóis e, a manutenção do controle econômico e político nas mãos dos usineiros de lá e seus aliados. Resultado: a terra das ‘Imelda Marcos’ continua – em tudo – o país mais atrasado em toda Ásia, para infortúnio do povo filipino. Ninguém merece, quer, admite ou permite a perpetuação de tal condição; é questão de tempo – este é um estágio fadado a superação no rumo do progresso e do desenvolvimento e, neste torrão, certamente não será diferente.

Para melhorar a qualidade de tudo o eleitor tem que melhorar a qualidade do seu voto – e, eleições livres é a festa maior da democracia; portanto, a hora de melhorar tudo é todo dia - o dia todo - e, agora e sempre.


Fontes da pesquisa: Dicionário Brasileiro Globo / Francisco Fernandes, et al. – 50 ed. – São Paulo : Globo, 1988. ; Toda A História / José Jobson de A. Arruda e Neslon Piletti 04 ed. – São Paulo : Editora Ática, 1996. ; Notas Sobre a História de Alagoas / Isabel Loureiro de Albuquerque – 01 ed. – Maceió : SERGASA, 1989.

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