Saudação

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quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

O atoleiro

Por George W B Cavalcanti


Uma nação atrás das grades, ao que me parece, é no que estamos nos tornamos a cada dia que passa. Porque se por um lado a indústria da construção de presídios cresce a ‘todo vapor’, por outro a população cidadã ordeira, trabalhadora e honesta tem que buscar se proteger atrás de grades nos mais diversos formatos – um país inteiro obrigado a ver ‘o sol quadrado’ literalmente; uma tragédia nacional.

A propósito, me vem à mente uma perola do discurso parlamentar atual: “no Brasil só falta formação de quadrilha de forma estatutária”. Mas, já cabe correção; pois a tirar pelo apurado nas últimas operações da ‘Federal’, isto já existe comprovadamente. Ora, com todo o respeito às nossas egrégias cortes, o que o nosso cidadão-contribuinte - que lhes paga abastados salários - quer mesmo é que cumpram, “prá ontem”, o seu basilar ofício de defender os interesses maiores da população brasileira.

Aliás, o quadro geral de insegurança social aponta para uma suprema inépcia na tipificação e punição do mega-furto de recursos públicos; endêmica e crescentemente logrado pelas sucessivas camarilhas que se incrustam nos poderes. Tudo, ‘seguindo nessa pisada como a cantiga da perua: de pior a pior’ como se diz por aqui. Pois, a título de ilustração do nosso panorama de renitente insegurança para a democracia e para o estado de direito, narro um pitoresco diálogo acontecido num desses nossos esquecidos ‘grotões’ nordestinos.

O 'causo' se deu mais ou menos assim: “Era inverno e, num entremeio de estio, um sujeito chegou todo afobado junto a uma ‘rodinha’ de populares que 'papeavam' sossegados sob a copa de uma pitombeira e gritou bem à moda do lugar: - ô gente, acudam que o meu carro está atolado! Ao que, um emproado do grupo respondeu perguntando; - espera aí macho, mas, está com as rodas da frente, com as de trás ou com as quatro atoladas? Eis que insistiu o apreensivo solicitante; - ‘oxente’ homem se avexe e, porque a pergunta? Aí, rebate o implicante; - ‘ôxe’ seu jumento, tem que explicar direito, tais vendo não; que com as rodas da frente é se atolou, que com as de trás é atolou-se e que com as quatro é, se atolou-se? E emendou, para deleite da sonolenta platéia; - nós temos que saber o certo não é pessoal? Ao que responderam em uníssono os congregados preguiçosos: isso, isso, isso! Finalmente, numa ‘rabissaca’, retrucou o aflito atolado; - ‘vixe’ abestalhados, vou é procurar uma turma de homens machos mesmo para resolver essa parada!...”

Moral da estória - concluindo a minha parábola: o povo não quer saber se a torrente de escândalos e violência que assola e vandaliza o país é: por ‘associação criminosa’, de ‘organização criminosa’ ou de ‘formação de quadrilha’... Não, distintos diletantes do eminente saber jurídico; entendam enfim que, o povo sabe muito bem quando é roubado, sabe quem roubou, sabe quem rouba e quem vai roubar, também. E, a essa altura, já chega às raias da paciência e quer punição exemplar para os culpados; e o quer urgente! Quer o império da lei e não uma lei do tempo do Império.

O povo parece haver compreendido enfim que os furos favorecem ao queijo suíço; mas que em se tratando de lei, de ordem e segurança pública (leia-se, segurança nacional), eles só fazem apodrecer o tecido social, as instituições e, enfim, toda a nacionalidade. E que, levam de roldão toda a nação para o atoleiro, não importando o 'juridiquês' ou o 'caipirês' com que se tente explicar o atolamento.


União dos Palmares - AL, 23 de julho de 2008.

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